31 de dez de 2006

hora da virada

Último dia do ano e como sempre o que mais se fala é de fazer um balanço do ano que está terminando e traçar os objetivos do ano que se inicia.
Olhando para trás foi um ano muito difícil para mim. Porém tudo que me aconteceu foi bom. Cresci muito como pessoa. Rompi meu limite por diversas vezes e me surpreendi com a minha própria capacidade. Meu avô dizia que “a melhor professora que existe é a vida, porém a que te cobra mais caro”, e realmente ela me ensinou muito este ano, e me cobrou um preço muito alto. Porém até o acontecimento que mais me fez sofrer também foi algo muito bom. A morte de minha mãe foi um presente. Com certeza se ela estivesse aqui hoje estaria numa condição muito triste. Eu tenho a convicção de que eu estaria sofrendo muito mais com isso do que com a saudade que tenho dela.
Os quatro últimos meses eu passei tentando me redescobrir. Tipo renascendo mesmo. Aprendendo a cuidar de mim. Descobrindo o que eu queria. Experimentei alguns sentimentos novos e vivi novas experiências.
Eu passei um tempo de minha vida em que quando pensava no futuro não conseguia ver nada, como se toda ela fosse ser como o momento que eu tava vivendo. Mas agora, neste último dia do ano, eu tenho muitos objetivos a serem alcançados, muitos planos e muitos sonhos. Vou fazer com que 2007 seja um grande ano na minha vida. Será, com certeza, uma vida renovada. Sei que existirão os bons e maus momentos. Haverá sorrisos, lágrimas, felicidade, dor, enfim, tudo que faz parte da vida. E eu chegarei no final dele bem melhor do que sou e estou agora.
Só tenho o que agradecer. Agradecer por ter tido forças de passar por tudo que passei. Agradecer pela recuperação do meu irmão. Agradecer por tê-lo na minha vida e ser meu melhor amigo. Agradecer pela cunhada e sobrinha maravilhosa que tenho e que estiveram sempre ao meu lado. Camilinha é minha grande alegria de viver. Agradecer todos os amigos que ganhei este ano e todas as amizades que se fortaleceram, se aprofundaram. Agradecer toda a força, carinho e paciência que esses amigos me deram e tiveram por mim. Com certeza teria sido muito mais difícil sem eles.
Amanhã quando eu acordar sei que não sentirei nenhuma mudança a minha volta, mas dentro de mim eu saberei que é um novo momento.

Desejo à todos muita saúde principalmente, que é um dos maiores tesouros. Todo o resto vem por acréscimo, depende de cada um de nós. Porque mesmo os momentos difíceis, depende de como queremos vivê-lo, do que permitimos que ele faça conosco. Que nunca falte um amigo em suas vidas, para ajudá-los a passar por esses momentos difíceis e vibrar com vocês nos momentos de alegria e realizações. E que nunca nos esqueçamos de fazer algo no nosso dia-a-dia para melhorar o nosso tão injusto mundo, para que mais pessoas possam ter um mínimo de dignidade.

Que venha 2007!!!!!

"Se eu pudesse deixar algum presente a você,
deixaria aceso o sentimento de amar
a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo
o que foi ensinado pelo tempo a fora.
Lembraria os erros que foram cometidos
para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.
Deixaria para você, se pudesse,
o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho. Além do trabalho, a ação.
E, quando tudo mais faltasse, um segredo:
O de buscar no interior de si mesmo
a resposta e a força para encontrar a saída.“
(Mahatma Gandhi)

15 de dez de 2006

um dia de fúria

Muitas vezes me lembro de uma lição que minha mãe me ensinou e que repetiu algumas vezes. Hoje estou pensando sobre isso: “a diferença entre ser boa e ser boba”.
De repente você para e percebe que algo está errado, que limites estão sendo ultrapassados e que talvez para evitar se aborrecer, se magoar, você vai levando.
Hoje meu dia começou muito bem, mas ao chegar ao trabalho, uma coisa aconteceu e acendeu a luz vermelha. Nada muito sério, mas muito repetitivo e me dei conta do quanto isso anda me desgastando. Mudei totalmente minha postura, nada de sorrisos, de paciência. E é engraçado como fez efeito. Alguns comportamentos mudaram.
A partir de como eu estava, ou melhor, estou me sentindo, e aí enumero uma porção de sentimentos, pois estou puta da vida, estou aborrecida, estou triste, estou decepcionada etc etc, variando entre a vontade de mandar um a merda em alto e bom som e chorar.
O que aconteceu é que a primeira coisa que aconteceu foi um estopim inicial e desencadeou uma série de outras coisas. A partir daí comecei a pensar no que tem acontecido e que eu estou “levando”.
Uma amiga me diz: “não fica assim, procura pensar em outra coisa, hoje é sexta-feira, amanhã pode dormir até tarde, ir passear...” E eu respondo a ela: “não quero esquecer, quando isso acontece é necessário parar e encarar, descobrir tudo que está incomodando, que precisa ser mudado e tentar fazê-lo, porque se deixarmos de lado, se ignoramos, logo logo volta a incomodar.”
Sendo assim, é hora de parar, analisar uma série de coisinhas, ver tudo que precisava ser mudado para continuar em frente. Todas as providências que precisam ser tomadas para tentar evitar que certas coisas te aborreçam, entristeçam ou magoem. Não posso mudar a forma de ser das pessoas, eu sei. Mas posso me proteger melhor, procurar inclusive, a medida correta para alguns relacionamentos. Algumas coisas sei que nunca vou conseguir mudar em mim, até porque mesmo que elas, as vezes, me façam sofrer, eu gosto de ser como sou em vários aspectos. E sem falsa modéstia, acho que a outra pessoa, na maioria das vezes, e quem sai perdendo.
Outro dia conversava com alguém e falamos de sensibilidade. A pessoa me disse que eu sou muito sensível e por isso fácil de ser magoada. Disse também que eu procuro por pessoas mais sensíveis e não encontro, então me decepciono. Lembro que até comentei que às vezes me sinto como se tivesse nascido na época errada. Será?
Pensei muito nisso. Sou mesmo muito sensível e acho bom ser assim, não quero endurecer nem me fechar no egoísmo. Gosto de pensar no outro, de agradar o outro, de me preocupar com o outro. Nem todas as pessoas do meu círculo de relacionamento são assim, mas há alguns, e isso é bom. Quanto aos que não são, às vezes fazem eu me sentir desse jeito que estou hoje, mas passa. Vou mudando algumas coisas, me readaptando as situações e a vida continua.

Eu não poderia deixar de fazer um comentário. Toda vez que me lembro disso que minha mãe falava, lembro de outra coisa que minha avó falava: "quem muito se abaixa mostra a bunda!!!" .
Eita sabedoria!! Coisa de mineira

5 de dez de 2006

papai noel existe

Vou começar falando de algo que gosto muito: o Natal!!
Muita gente diz não gostar por ser uma época muito triste, mas nunca vi assim. Gosto de tudo que envolve o Natal. A arrumação da casa, as compras dos presentes, os cartões e mensagens, os trabalhos sociais (que claro não devem ser somente nesta época), adoooro Papai Noel, aaaamooo assistir filmes de natal (tenho um montão), sempre releio um livro que tenho com contos de natal, gosto de ver a decoração espalhada pela cidade, de brincar de amigo oculto, de cozinhar, de comer todas aquelas gostosuras, muita rabanada (ah como eu gosto de rabanadas, quando me levanto no dia seguinte a primeira coisa que faço, antes mesmo de ir ao banheiro, é comer uma rabanada), enfim, gosto de tudo!!!
Ontem fui pegar as coisas para decorar meu apartamento para o Natal. Este ano foi diferente ao mexer em tudo aquilo, pois como é o primeiro natal que meus pais não estão mais comigo, pensando nisso, viajei através de diversos Natais, principalmente os da minha infância. E existe um fato muito marcante para mim, que foi quando e disseram que Papai Noel não existia.
Eu tinha 7 anos, e quem me contou foi o irmão mais velho de um amiguinho meu, aliás, ele foi mais do que meu amiguinho, foi meu primeiro namorado. Lembro que meu amigo brigou com o irmão por ter me contado isto. Eu não tive um grande choque, na verdade fiquei pensativa sobre o assunto. Não questionei ninguém sobre isso, mas decidi que nesse ano eu iria confirmar tal fato.
Eu e meu irmão sempre arrumávamos um lugar onde Papai Noel deixaria nosso presente. Na véspera sempre íamos durmir cedo, para que Papai Noel passasse logo, pois ele não deveria ser visto. Nessa noite, depois que minha mãe nos colocou na cama, eu fiquei quietinha fingindo que dormia. Estava decidida a esperar por ele.
Eu morava numa casa de dois andares, e quando descíamos os degraus, a partir de uma parte da escada, começávamos a ver a sala. Num determinado ponto, a parede se abria, seguindo reta, e vinha o corrimão da escada, para baixo, onde aliás eu adorava deslizar. Deu para entender?
Quando vi que a luz do quarto dos meus pais havia sido apagada, esperei mais um pouquinho, me levantei bem devagar e fui andando na ponta dos pés para não fazer barulho.
Ao chegar na parte da escada onde podia ver a sala, e de onde eu pretendia fazer plantão para esperar para ver se Papai Noel viria, olhei para a janela, daquelas grandes, de madeira, e vi um pedaço de pano vermelho saindo por uma fresta. Juro que eu vi!! Era ele que acabara de passar e deixado nossos presentes. Ele existia!!! E ninguém poderia me convencer do contrário. Eu havia visto.
Depois de todos esses anos, eu ainda sou capaz de afirmar o que eu vi, a imagem é nítida em minhas lembranças, nunca se desfez e eu adoro me lembrar disso. E se alguém me perguntar se eu acredito em Papai Noel, vou responde sem piscar: sim, eu acredito!!!!

A foto é do primeiro namorado. Não formamos um casal muito fofo??

28 de set de 2006

Semana passada eu descobri que tenho espaço limitado para esse blog e que estou quase estourando esse espaço. Aí pensei que precisaria de um assunto especial para encerrar com ele. Diversas idéias me ocorreram, mas hoje decidi falar de diversas coisas...
Esse mes faz um ano que entrei no mundo virtual. Já falei disso aqui. Um ano de orkut. Uma experiência e tanto... Entrei com um objetivo que logo foi esquecido. Fiz amigos, fiz inimigos, amei, briguei, aprendi, sofri, me diverti.... Conheci muita gente, mas com o tempo, como é natural, foi passando na peneira e os mais importantes foram ficando. Muito interessante é que a primeira amiga que fiz permanece até hoje e nossa amizade tem se fortificado cada vez mais. Anjos em forma de gente que tiveram uma importância fundamental neste meu último ano de vida. Pode parecer exagero, mas tudo teria sido muito mais difícil sem eles na minha vida. Tiveram paciência, carinho, preocupação e amor por mim. Não sei se teremos contato pelo resto de nossas vidas, mas sei que estarão sempre no meu coração. Sei que não foi fácil me aturar em determinados momentos, mas nunca nenhum deles reclamou. Teve um em especial que sofreu mais, pois mantínhamos mais contato e aturava mais minhas mudanças de "humor".
Estou num momento de transição em minha vida e isso também não é fácil. Minha cabeça em alguns momentos borbulha, são tantas coisas que quero realizar... em outros momentos dá uma parada, como um branco. Da mesma forma que também dá medo. Passei muito tempo pensando nos outros, cuidando dos outros e agora tenho que pensar em mim, cuidar de mim. Mas tenho certeza que vou me sair bem. Obrigada a cada um de vocês que fizeram parte desse meu ano, obrigada pelo carinho, pela paciência, pelo amor com que vcs me alimentaram.
Amanhã faz um mes que meu pai faleceu. Me questiono ainda sobre nosso relacionamento e procuro lembrar de momentos bons, que foram poucos , mas que existiram.
Sábado, dia 30, seria aniversário de minha mãe. Como diz meu irmão, vamos passar agora por um período marcado pelas primeiras datas sem ela. O primeiro aniversário, o primeiro Natal, o primeiro Dia das Mães.... 
Esse blog, em sua maioria, falou dos problemas que passei. Aqui mesmo recebi muito carinho. Obrigada a todos que leram e me deram esse carinho, mesmo que não deixasse aqui um comentário, falavam comigo por e-mail ou msn.
Para terminar, vou deixar aqui uma foto minha que é a minha preferida. Quando olho para ela eu vejo uma Luci que gostava de ser e que quero voltar a ser. E vou voltar a ser.



Assim que abrir novo blog  passo o endereço a vocês. Beijos e muita paz e alegrias à todos.

atualização em 01/05/2011
- Eu só trouxe alguns posts do primeiro blog para esse, os mais importantes para não serem esquecidos.
- Todos os dias estarei republicando posts mas vc não verá em suas atualizações por cta da data. Então se quiser acompanhar venha aqui me visitar :)

22 de set de 2006

Há dois dias um amigo me perguntou se podia fazer uma pergunta pessoal, e eu disse que sim, visto que não tenho problemas em falar de meus sentimentos. Ele me questionou sobre meu pai. Notou que eu não falei dele da mesma forma como da minha mãe.
Provavelmente outros que lêem aqui devem ter percebido o mesmo, então resolvi escrever sobre isso.Não, não era o mesmo, ou melhor, era infinitamente diferente.

Meu relacionamento com ele não era muito bom, não era de pai para filha ou vice-versa. na realidade sempre me senti como se não tivesse "pai". Sei que é estranho ler isso, e eu não vou agora me estender muito no assunto, nem é o momento. Nas minhas lembranças não há carinho, não há conversas... Haviam muitas mágoas, muitos aborrecimentos. Foi quem mais me fez sofrer.

E é muito difícil admitir isso.

Pouco antes de minha mãe morrer, eu pressenti o que ía acontecer e foi aí que briguei com Deus. Eu sabia que minha mãe ía morrer antes dele. Ela, uma pessoa que sempre amou a vida e ele uma pessoa que sempre gostou de ser infeliz e fazer infeliz quem estava ao seu redor,que sempre dizia que queria morrer, que desde que me entendo por gente dizia que ía embora de casa, ía viver... Eu não aceitava isso...
Dei a ele tudo que ele precisava. Tenho a conciência tranquila, mas não existia amor entre nós.
Sofri com a morte dele sim. Primeiro porque nenhum ser humano merecia passar o que ele estava passando e pela morte daquele que eu queria que ele tivesse sido para nós.
Eu entendo porque ele era como era, mas isso não conseguia apagar as marcas que eu trazia comigo. Espero de coração que ele esteja em bom lugar, que tenha encontrado a paz que nunca teve porque nunca conseguia ver o lado bom de nada.
Não é a hora de eu julgá-lo, só queria passar um pouco disso para vcs que sempre estiveram ao meu lado.

Durante a estada dele no hospital tivemos tempo de nos resolver um pouco.Engraçado como as coisas acontecem. Eu falei algumas vezes que qdo ele morresse eu não iria ao enterro, porque não era hipócrita. Seria para mim um sossego não tê-lo mais por perto. Todos viveríamos melhor. E no momento que isso aconteceu, só havia eu para cuidar disso: do velório e tudo mais. Fui a última pessoa que falou com ele.

Acho que já deu para vcs entenderem um pouco. Hoje, sempre que choro de saudades de minha mãe, penso nele, de como queria estar chorando por ele também.

Ele foi uma ótima pessoa para todos, menos para sua família.

13 de set de 2006

Vocês nem imaginam o que aconteceu. Segunda-feira como eu havia dito, Silvano teve alta do hospital e iria ficar na casa do meu primo até o dia 30 para fazer a primeira revisão da cirurgia. Porém a recuperação dele está tão boa que os médicos o liberaram para voltar ao Rio, e só o querem lá novamente no dia 3 de novembro.
Sendo assim, desde ontem à noite temos Silvano de novo conosco.
O padrinho da Camila a levou ao aeroporto com a desculpa que íam buscar um amigo dele para fazer surpresa para ela. Imaginem como foi....

Eu fui do trabalho direto para o apartamento deles apara esperá-los lá. Quando chegaram e abri a porta, Silvano já chorava compulsivamente. Ficamos abraçados chorando por muito tempo. Tantos motivos para chorar.... Eu estava feliz por vê-lo de volta e bem, esperei muito por esse dia. Meu único irmão, meu melhor amigo e meu porto seguro. Foi muito difícil passar os últimos acontecimentos sem ele por perto, além de não poder estar lá com ele nesse momento que ele estava passando. A ele o que não falta são motivos. Estar de volta à sua casa e ao convívio da família. Finalmente ver realizada essa cirurgia e bem sucedida depois de tanta espera e sofrimento. Com a doença do pai nem houve muito tempo para ele chorar a morte de mamãe de quem temos uma saudade imensa. O pai morreu no dia seguinte a cirurgia dele, ou seja, ele não vivenciou o fato e só agora com o retorno dele que vai sentir mais isso. Eu ainda não peguei as cinzas do pai, porque ele me pediu que queria ir junto pegar e jogar no mesmo lugar que jogamos as da mamãe, para que ele pudesse participar de algo e se despedir.

Esses dois últimos meses de nossa vida têm sido muito difíceis. São muitos sentimentos e sentimentos diferentes. Acho que finalmente agora vamos poder sossegar um pouco nosso coração. É uma vida nova para nós.

31 de ago de 2006

Ontem foi o velório e hoje a cremação. Tudo feito e resolvido. Seguiu o caminho dele.
Meu irmão está ótimo!!! Desde terça que usa o andador e a partir de amanhã já passará para a bengala. A dor que o atormentou por 3 anos não existe mais. Nada poderia me fazer mais feliz!!!!



Eu tinha 3 grandes preocupações e missões: minha mãe, meu pai e meu irmão. Sobre meu irmão o problema que ele vinha enfrentando, seu sofrimento, tb me fazia sofrer muito. Hoje estou dando por encerrada as três, sim , porque em relação ao Silvano o meu grande problema agora era a cirurgia e seu resultado. Quanto a isso tb dou como encerrado. Agora é só a longa recuperação. O importante é que agora é só melhorar.

E eu aqui sentada na frente desse pc. O que fazer agora? tenho um mundo de possibilidades à minha frente. Planos, sonhos... Confesso que tenho dificuldade em pensar em mim. Mas vou conseguir. Um passo de cada vez, um dia de cada vez.

29 de ago de 2006

No final da tarde o pai foi se encontrar com a mãe....
Depois de 3 anos de tratamento, dores 24 hs por dia, eventuais crises e 8 meses aguardando a marcação, finalmente ontem meu irmão e meu melhor amigo, de quem sinto muita falta, operou a coluna no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília e correu tudo bem. Foram 8 hs de cirurgia e uma agonia infindável para mim. Depois de tudo que tem me acontecido, confesso, que mesmo estando otimista, tive uma ponta de medo que algo desse errado.
Na cirurgia, feita pela frente, um novo método, eles retiraram um pedaço do osso da bacia e colocaram entre duas vértebras onde ele não tinha mais o disco. Agora serão 11 dias até tirar os pontos e usará um colete, feito de um material que parace garrafa pet, só que mais grosso, que pega todo o tronco e uma parte do bumbum, até que calcifique. Só não sabemos ainda qdo ele será liberado para voltar ao Rio onde eu e Camila, minha sobrinha, o aguardamos anciosas.

O pai, que amanhã completa dois meses que está no hospital, depois de 50 dias na UTI (mamãe morreu 10 dias depois dle ser internado), havia ido para enfermaria, mas só por 5 dias. No domingo à noite voltou para UTI, onde está entubado, sedado e o rx do pulmão é muito ruim. A médica me chamou ao hospital pq ele queria falar com os filhos, estava muito agitado. Então ela me ligou pedindo que eu fosse antes de entubá-lo. A médica falava comigo com lágrimas nos olhos e diversas enfermeiras, mesmo de outros andares, estavam indo lá para vê-lo. É muito bom qdo vc se depara com coisas como esta. Demonstrações de carinho por uma pessoa que conhecem há apenas dois meses. E vc nota no dia a dia esse mesmo sentimento em relação a muitos pacientes que lá estão e vindo de diversos médicos e enfermeiros.

Ele falava muito, estava bem inquieto, mas o que de mais importante disse é que ele não podia mais ficar aqui, que já estava nas mãos de Deus e que ía para junto de minha mãe.

Só peço que Deus tenha misericórdia.

10 de ago de 2006

Hoje faz um mes que minha mãe se foi... Se me perguntassem como eu estaria no dia de hoje, minha resposta seria o oposto de como estou. Estou tranquila e não chorei uma vez sequer. Já não penso nela como estava, com a doença. Me lembro de momentos tão bons e felizes... Me sinto uma privilegiada por ter sido filha dela. Há tantas lembranças boas, tantos momentos importantes. Na realidade, as vezes tenho a impressão de que tudo aconteceu há muito mais tempo. Hoje só sinto saudade de uma coisa: de seus beijos e abraços repletos de carinho e amor.
Nesse último mes, muita coisa mudou em mim. Não sei bem se o verbo é "mudar". A cada dia que passa me sinto mais tranquila, mais relaxada. Tenho feito coisas , mexido em coisas minhas que há muito eu não fazia ou mexia. Não há uma ordem, não há planejamento. Tenho deixado fluir. Faço o que tenho vontade naquele momento. Mexo no que dá vontade. Coisas que ficaram contidas em mim, hoje estão voltando. Porém o mais importante de tudo é que não me arrependo de nada que fiz ou deixei de fazer por ela. Faria tudo de novo e muito mais.

29 de jul de 2006

Muitas vezes estive diante dessa tela depois que minha mãe se foi, mas não consegui escrever nada. Não existem palavras que traduzam o que aconteceu , o que senti e o que estou sentindo. Tudo que escrevesse seria pouco.
Mexendo nas coisas dela, encontrei algo que ela escreveu para minha avó. Não tem data, mas sei que foi muito tempo depois de minha avó ter morrido.

" O seu nome é grande

Sua alma é pura

Seu amor infindo

Seu olhar tranquilo

Seu rosto tão calmo

Seu sorriso lindo

Que saudade imensa eu sinto de você.

Grande igual seu nome

Puro igual sua alma

É o amor que sinto

Porém em meu rosto não existe calma."

A doença tirou muito dela, só não tirou a coisa mais importante que ela tinha: o amor, o carinho... sua essência.
Cada vez que abro a porta do meu apartamento qdo chego do trabalho, sinto falta dela abrindo os braços para ganhar um abraço e beijos. Ela sempre foi "grudenta". Beijos e abraços era rotina em nossas vidas.
Suas últimas palavras para mim e para meu irmão, separadamente, foi "Que Deus te abençoe"

21 de jun de 2006

Quando abri esse blog, convidei só as pessoas "mais chegadas" a visitá-lo. Até deixei um tempo o endereço no meu profile, mas não acredito que alguém tenha dado importância. Por isso amigos, quero dividir uma coisa com vcs. Talvez até estranhem de eu falar de certas coisas por aqui, mas eu nunca tive problemas em me abrir, em falar dos meus sentimentos, afinal somos feitos de sentimentos.
Eu já tive muitos momentos de tristeza na minha vida, já sofri muito, como qualquer ser humano. E claro também tive muitos de alegrias! Mas hoje eu vou falar de tristeza, desculpem.
Há dois anos que vivo uma tristeza crescente. Não fazia idéia de como era isso. Porque geralmente ela vem, dura um tempo de acordo com a situação e depois passa. Mas essa começou e só vem aumentando. Eu tento viver a vida, deixando-a de lado, mas há aqueles momentos em que ela se engrandece, toma conta, e me pega pelo pé. Fico tão atordoada em alguns momentos que nem sei como agir. Mas há opções? Só resta vivê-la e agradecer que existem as lágrimas, senão explodiria.Quando penso que não há mais como crescer, ela me surpreende e mostra que sim. E nesse momento eu sei que ela ainda vai ser bem maior e me maltratar muito mais.

Vocês já devem ter tido alguma grande perda na vida. Eu tive algumas. Perdemos , sofremos e seguimos a vida. Porém é demasiadamente doída a perda gradual. Ela vem em etapas e maltrata demais. Vocês sabem do problema que passo com minha mãe. Sabem também o quão importante ela é para mim. Mas nem eu sabia o tamanho desse amor.... Eu a venho perdendo devagar, dia-a-dia, como areia saindo por entre os dedos. Às vezes penso: ela não está mais aqui, mas ela está e demonstra isso em uma palavra, em um carinho. Nossa, como eu a amo, como preciso dela, como ela foi e ainda é importante para mim.

Há algum tempo eu sei que vou perdê-la de vez. Há algum tempo eu peço a Deus que tenha misericórdia e a leve. Prefiro sentir sua ausência definitiva do que vê-la sofrer, do que vê-la como está. Mas Deus, com seus mistérios não me atende. Ando inclusive brigada com Ele. Estou numa fase de não aceitação. Mas com a fé que eu tenho, e com as coisas que acredito, sei que Ele me entende, me conforta e me dá forças para seguir em frente. 
Nesse período que venho passando, passei até a entender as pessoas que cometem a eutanásia. As vezes eu queria ter coragem para fazer isso, mas aí vem um sorriso, um carinho e eu penso: tenho que aproveitar tudo isso. E além do mais eu não sei como eu viveria depois se fizesse isso. E ela com certeza quer que eu continue minha vida e seja feliz. Afinal tudo que ela fez a vida toda foi para que sua família fosse feliz.

É, mas hoje eu sei que este fim está mais próximo, e vem uma imensa confusão de sentimentos. Quando chegar ela terá seu descanso, não vai mais sofrer. Mas como continuar vivendo sem ela? Hoje o médico me disse que o fim pode estar mais próximo que imaginamos. Ela não possue mais massa muscular, seus ossos estão todos expostos sob a pele. O problema de deglutição está aumentando cada vez mais. A cada gole d'água ela engasga. O organismo não absorve mais nada dos alimentos, embora ela se alimente bem. Logo ela terá que usar uma sonda para se alimentar, e qdo isso acontecer ela ficará de vez na cama. 
Sabem, ela adora bombom Sonho de Valsa... O Mal de Parkinson, ao contrário do que as pessoas acham, não é só o tremor. Tem o enrigecimento tb, e 20% das pessoas q tem a doença tem também a demência Parkissoniana, que é como o Alzeimer. A pessoa se torna mais lenta, mas não é só no andar e nos gestos. Os órgãos também vão trabalhando cada vez mais lentos. O médico hoje cortou metade da medicação, porque não adianta mais nada. Ela tem diversos pontos com chance de ter escaras. Mas no final da coluna se abriu uma que fechou algumas vezes. Porém agora não fecha mais, é algo muito feio de se ver. O Jair, nosso médico, que cuida de mim há 20 anos e que é um anjo na minha vida, disse que não há mais o que fazer, vai aumentar e dali provavelmente virá uma sepcemia (é assim?). Ela dará entrada no hospital, de onde não sairá mais. Geralmente a pessoa que tem Parkinsson morre de pneumonia. Será do que vier primeiro. Quando será? Não sei. Não sofrer por antecipação? Impossível.

E sabe por que divido isso com vcs? Porque os amigos reais e a família, com excessão do meu irmão, cunhada, sobrinha e mais quatro pessoas, sumiram há algum tempo. Uns porque não quiseram e outros porque dizem que não aguentam ver tudo que está acontecndo. Mas vcs entraram na minha vida, meus amigos virtuais que tanto carinho têm me dado. Obrigada, vcs são muito importantes para mim.

24 de abr de 2006

Desde o dia 30 de março venho contabilizando perdas. A maioria de origens diferentes. Queria me lembrar agora os termos que os contadores usam para classificar certos itens, mas não consigo. Algumas pessoas me dizem para deixar prá lá, não pensar nisso, olhar prá frente, levantar a cabeça... Mas eu acredito que todo sentimento tem que ser vivido para ficar resolvido. Por isso nos últimos dias tenho "curtido" cada um deles, sofrido cada um, chorado cada um.... Há em mim um turbilhão de coisas, mas eis que em alguns momentos me encontro simplesmente coversando comigo mesmo, consolando a mim mesmo em busca da reconstrução. Com certeza não sairei a mesma pessoa que entrou. Como serei ainda não sei. Mas terei que gostar e cuidar da pessoa que sobreviver e emergir de tudo isso. Acho que é a primeira vez que estou vivendo certas coisas, certos sentimentos e acontecimentos sem dividir com ninguém, ou melhor, só comigo mesmo.

12 de abr de 2006

Com certeza todo mundo já ouviu dizer que quando alguma coisa ruim acontece na sua vida, nunca vem sozinha. Parece até que abrem a porteira... Há uma semana exatamente eu venho colecionando perdas, perdas de todo tipo que se possa imaginar. Eu até não deveria reclamar porque nos últimos seis meses eu colecionei muitos ganhos. Se eu colocasse na balança diria que ainda estou ganhando mais que perdendo, porém existem perda de "peso". Um amigo é sempre uma grande perda mesmo que tenhamos um monte ainda. Cada um é um. É como perder filho, as mães que passaram por essa experiência, dizem que podem ter mais filhos, mas nenhum ocupa o lugar do outro. E assim é com amigos. Em uma semana eu perdi quatro. Um eu perdi para a morte e três eu perdi para a vida. Cada perda é única também e traz um sofrimento diferente. E entre tantas perdas e tantos sentimentos meu coração às vezes nem sabe o que sentir. E eu que já vivi tantas perdas na minha vida, hoje me encontro vivendo uma que nunca havia experimentado e a que mais dor me traz.
Existe uma sensação de que uma vida está escapando, saindo entre meus dedos e eu não consigo segurar. Estou perdendo alguém em vida. De repente vc olha um corpo mas sabe que a pessoa não está mais ali. Outras vezes sente que por uma fração do tempo ela volta e vc tenta agarrar aquele momento para que não fuja novamente. Nem sei o que é melhor, pois quando vem alguma lucidez, ela se dá conta do que está lhe acontecendo e sofre. Existem muitos momentos difíceis, mas por incrível que pareça ainda tem muitos momentos bons. Ainda ganho colo, beijos, abraços e sorrisos. Pela manhã quando eu a acordo, sempre ganho um bom dia com um grande sorriso. Ela já começa a falar uma porção de coisas, sem nexo, mas feliz da vida. Sempre que vou lhe dar banho ou mudar sua roupa para durmir, eu canto alguma música antiga e ela canta junto comigo. Ela sempre gostou de cantar. Ela nos criou costurando para fora, e estava sempre cantando enquanto trabalhava. Muitas vezes eu sentia que a música que ela cantava mostrava o que ela estava sentindo. Eu nunca vou me esquecer de uma vez, há muito tempo atrás, que ela cantou a mesma música o dia todo: "Deixa em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa, e qualquer desatenção, faça não, pode ser a gota d'água." E muitas vezes nos últimos dias essa música tem vindo à minha mente.

5 de abr de 2006

senna

Falamos de como é possível fazer amizades virtuais. Gostar e criar amizade com pessoas que nunca vimos, só por conversármos por scraps no orkut ou msn. Isso é muito simples de explicar. Difícil é explicar como se pode amar alguém com quem vc nunca trocou uma palavra, que nem sabe que vc existe. Eu passei por isso. Quem é? Ele foi e continua sendo uma grande paixão. Ele foi e é o único ídolo que tive na vida: Ayrton Senna.

Muitas vezes me questionei isso: como gostar tanto de alguém numa relação de mão única? de alguém que nunca soube que vc sequer existia? Não sei explicar isso. Ainda bem que outras milhões de pessoas tb não sabem. Mas eu o amei e ainda o amo. Desde o início corri com ele, fiz cada curva, dei cada freada, tive raiva, alegrias e todos os demais sentimentos. Muitas vezes terminei de assistir as corridas com dor nas pernas, de tanto que eu freiava. Adorava sua sinceridade. Não é qualquer um que tem a coragem de dizer ao mundo que segundo lugar não serve para ele, que essa coisa de "o importante é competir" é conversa fiada. Ele preferia quebrar o carro do que não lutar até o limite pelo primeiro lugar.

Nunca vou me esquecer daquele primeiro de maio...Tenho todas as imagens vivas em minha mente como se tivessem acontecido hoje. E a parte mais forte de todas é do momento em que ele tombou a cabeça. Ali eu soube que ele tinha morrido. E chorei, e choro sempre que assito imagens dele, sempre que ouço a Tema da Vitória, assim como choro nesse momento em que estou escrevendo. Um choro doído, como se tudo tivesse acontecido hoje.

Como pode ser isso? De onde vem esse sentimento? Como posso sentir isso 12 anos depois? Não sei e nunca saberei.

Foi com a perda dele que eu conheci , de verdade, o que representa a palavra saudade.

Ele está vivo na minha vida, no meu mundo, no meu quarto. Os posters, os livros, as miniaturas dos carros, do capacete, dos DVD's... ele está por todo lado.

Na minha vida, no meu coração existe um buraco que ninguém, ninguém mesmo jamais preencherá.

9 de mar de 2006

o cheiro na minha vida

Estive conversando hoje com uma amigo sobre a importância do cheiro em minha vida e na dele. E na sua? Também é importante? Sempre me acontece de sentir determinados cheiros e através dele ser transportada para alguma época de minha vida, determinado acontecimento. Para coisas que nem passava mais por minha mente. Mas é aquele velho assunto, está tudo guardadinho dentro de nós. No nosso coração e de nossa mente. Pode nos levar a bons ou a maus momentos...

Vou contar uma dessas vezes, que aconteceu recentemente.

Eu tive uma infância pobre e difícil, apesar de nunca ter nos faltado as coisas mais importantes: carinho de minha mãe e um alimento por mais simples que fosse.

Outro dia estava numa lanchonete fazendo um lanche , claro, e alguém ao meu lado pediu um refresco de groselha. O cheiro do refresco entrou por minhas narinas e me transportou à minha infância. Muitas crianças levavam esse refresco de merenda (conhecem esse termo? rss) e eu sentia aquele cheiro gostoso. Ficava toda feliz quando alguém me oferecia um pouco. Em geral minha merenda era pão com margarina e açúcar (alguém experimentou isso?) . Isso quando tinha. Na maioria das vezes era a merenda que a escola dava, e que naquela época era arroz com salsicha, minguau de tapioca, sopa de feijão com macarrão e dobradinha com arroz (essa eu detestava). Nossa, era uma festa quando tinha umas moedas para comprar doce de leite com amendoim, frumelo (uma bala de framboesa deliciosa) ou um picolé de água com gostinho de alguma coisa.

Hoje posso comprar meus vinhos, almoçar em restaurantes... mas nunca vou me esquecer dessa época, pq foi aí que aprendi a hoje dar a importãncia ao que tenho. E tinha um sabor muito especial.

Meu pai parou de trabalhar aos 40 anos de idade por problema de coluna, e minha mãe costurava. Quando meu pai conseguia um táxi emprestado e fazia umas corridas, nós sabíamos que ele traria para casa pão com mortadela. Era uma festa!!! Hoje posso comer os frios que quiser, mas nenhum terá o sabor daquele pão com mortadela!

Acabei falando do paladar também. Acabei falando de uma época muito importante de minha vida. Onde éramos felizes apesar de. Nem sabíamos das maldades do mundo... Onde eu e meu irmão tínhamos a pessoa mais importante de nossa vida junto de nós... plena... se doando em cada minuto.

22 de fev de 2006

Hoje me lembrei de uma pergunta que minha mãe me fez algumas vezes: "Onde está aquela menina meiga que vc era?" E eu respondia: "A vida levou...".

Às vezes eu tb sinto saudades dela. Mas a vida realmente a levou. Pelo lado profissional, tive que aprender a sobreviver no mundo do "Clube do Bolinha", numa época onde poucas mulheres trabalhavam no Mercado de Capitais. No lado pessoal, muitas decepções, de diversos tipos, tb me fizeram criar defesas. Com o tempo isso muitas vezes ficou difícil de administrar. Vc já se sentiu como se tivesse nascido na época errada? Como se não coubesse nesse mundo de hoje? Muitas vezes me sinto um verdadeiro ET. "Verdade". Esse sempre foi tb um problema meu. Nunca soube fazer gênero ou usar as "máscaras" da vida. Muitas vezes isso me causou problema, por ser verdadeira demais. Quando eu tinha uns vinte anos, um amigo me disse que eu mesmo dava as armas para que as pessoas lutassem contra mim. Isso porque sempre fui muito transparente. Estou errada? Deveria mudar? Vivo hoje um momento onde a minha sensibilidade está mais à flor da pele, e eu tento viver sem parar para pensar, porque isso me faz sofrer, me deixa triste. Algumas vezes olhei para cima e perguntei à Deus por que eu não podia ter um pouco de "vida besta" daquela cheia de rotina. Gostaria de ter um pouco disso.Mas apesar de todos os problemas que isso possa me causar, não me arrependo de nada, sou o que sou. Não sei ser diferente. Nos últimos tempos optei por me isolar um pouco mais que de costume. Tenho sido uma boa companhia para mim mesma. E talvez por isso encontre mais dificuldade em me relacionar com as pessoas. Vivo numa montanha-russa de sentimentos e as vezes é difícil conjugar o momento que vivo com o resto da realidade. Mas de uma coisa as pessoas nunca poderão me acusar, de não ter sido sincera, seja nas minhas palavras, seja nas minha atitudes. Ou gosto ou não gosto. Tenho dificuldade com o meio termo, ainda mais quando se trata de sentimentos. Sempre me entrego de corpo e alma. Sei que não deveria ser assim. Não é racional. Mas quem disse que quero ser racional? Já basta no trabalho. Sou emoção. Gosto de ser emoção, por mais que isso possa me fazer sofrer. "Eu sou eu, é lindo, é vasto, vai durar" (Clarice Lispector).

12 de fev de 2006

Já aconteceu de vc achar que sentimentos e/ou acontecimentos tivessem sido deletados do seu coração e/ou do seu cérebro e de repente tudo aquilo cai sobre vc como uma enxurrada? Foi o que me aconteceu hoje. Sentimentos e acontecimentos que eu acreditava já estarem resolvidos há anos e eis que eles desabam sobre mim num mesmo momento e me jogam no chão.

Sai da rota. Um sentimento tão bom e outro tão ruim acontecem ao mesmo tempo e eu não sei a qual dar atenção. Qual lado meu precisa mais? Não sei a resposta! Há uma mistura de sensações e de imagens que me atordoam... Por alguns minutos perdi o controle de mim mesma.

Mas tenho que voltar a minha rota inicial, ao ponto onde parei, a vida segue.

10 de fev de 2006

Um reencontro... um recomeço...


Não sei bem em que época da minha vida me separei das palavras. Cortei o vínculo de cumplicidade que existia entre nós.

Não que esse espaço será algo "especial", mas quero ver se consigo expressar meus pensamentos e sentimentos. Ah! quer saber? sei lá! Não vou planejar, vou deixar fluir. Só fico com pena de vcs que vão ler rsssss