9 de mar de 2006

o cheiro na minha vida

Estive conversando hoje com uma amigo sobre a importância do cheiro em minha vida e na dele. E na sua? Também é importante? Sempre me acontece de sentir determinados cheiros e através dele ser transportada para alguma época de minha vida, determinado acontecimento. Para coisas que nem passava mais por minha mente. Mas é aquele velho assunto, está tudo guardadinho dentro de nós. No nosso coração e de nossa mente. Pode nos levar a bons ou a maus momentos...

Vou contar uma dessas vezes, que aconteceu recentemente.

Eu tive uma infância pobre e difícil, apesar de nunca ter nos faltado as coisas mais importantes: carinho de minha mãe e um alimento por mais simples que fosse.

Outro dia estava numa lanchonete fazendo um lanche , claro, e alguém ao meu lado pediu um refresco de groselha. O cheiro do refresco entrou por minhas narinas e me transportou à minha infância. Muitas crianças levavam esse refresco de merenda (conhecem esse termo? rss) e eu sentia aquele cheiro gostoso. Ficava toda feliz quando alguém me oferecia um pouco. Em geral minha merenda era pão com margarina e açúcar (alguém experimentou isso?) . Isso quando tinha. Na maioria das vezes era a merenda que a escola dava, e que naquela época era arroz com salsicha, minguau de tapioca, sopa de feijão com macarrão e dobradinha com arroz (essa eu detestava). Nossa, era uma festa quando tinha umas moedas para comprar doce de leite com amendoim, frumelo (uma bala de framboesa deliciosa) ou um picolé de água com gostinho de alguma coisa.

Hoje posso comprar meus vinhos, almoçar em restaurantes... mas nunca vou me esquecer dessa época, pq foi aí que aprendi a hoje dar a importãncia ao que tenho. E tinha um sabor muito especial.

Meu pai parou de trabalhar aos 40 anos de idade por problema de coluna, e minha mãe costurava. Quando meu pai conseguia um táxi emprestado e fazia umas corridas, nós sabíamos que ele traria para casa pão com mortadela. Era uma festa!!! Hoje posso comer os frios que quiser, mas nenhum terá o sabor daquele pão com mortadela!

Acabei falando do paladar também. Acabei falando de uma época muito importante de minha vida. Onde éramos felizes apesar de. Nem sabíamos das maldades do mundo... Onde eu e meu irmão tínhamos a pessoa mais importante de nossa vida junto de nós... plena... se doando em cada minuto.

2 comentários:

  1. Esse post me fez recordar de tanta coisa... Não enxergo bem, e não sei se por consequência disso, também não ouço muito bem, mas em compensação, meu olfato é excelente.
    E, além de me remeter ao gosto das comidas e coisas, também me leva direto pras minhas lembranças.
    Da minha avó, principalmente, cozinheira de mão cheia, quem me ensinou truques e macetes da cozinha familiar. Da minha bisa, que na cozinha reinvetava sabores e odores. E a junção disso, a minha infância, onde a comida sempre foi fator de aglutinação familiar.
    Li seu post com um sorriso nos lábios, lembrando de coisas que aqueceram meu coração.

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  2. Cheiros, sabores, luzes, cores, sons, imagens... tudo pode fazer pipocar memórias adormecidas, isso acontece comigo o tempo todo, por isso pareço distraída na rua, é que minha cabeça fica observando o ambiente e catando referências, coisa de lelé ou saudosista.
    Esse teu post é muito triste pra mim, pipocou muita coisa aqui dentro.
    Minha vó nos ensinou a gostar de cream cracker com manteiga e açúcar polvilhado por cima, delícia até hoje pra mim.

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