12 de abr de 2006

Com certeza todo mundo já ouviu dizer que quando alguma coisa ruim acontece na sua vida, nunca vem sozinha. Parece até que abrem a porteira... Há uma semana exatamente eu venho colecionando perdas, perdas de todo tipo que se possa imaginar. Eu até não deveria reclamar porque nos últimos seis meses eu colecionei muitos ganhos. Se eu colocasse na balança diria que ainda estou ganhando mais que perdendo, porém existem perda de "peso". Um amigo é sempre uma grande perda mesmo que tenhamos um monte ainda. Cada um é um. É como perder filho, as mães que passaram por essa experiência, dizem que podem ter mais filhos, mas nenhum ocupa o lugar do outro. E assim é com amigos. Em uma semana eu perdi quatro. Um eu perdi para a morte e três eu perdi para a vida. Cada perda é única também e traz um sofrimento diferente. E entre tantas perdas e tantos sentimentos meu coração às vezes nem sabe o que sentir. E eu que já vivi tantas perdas na minha vida, hoje me encontro vivendo uma que nunca havia experimentado e a que mais dor me traz.
Existe uma sensação de que uma vida está escapando, saindo entre meus dedos e eu não consigo segurar. Estou perdendo alguém em vida. De repente vc olha um corpo mas sabe que a pessoa não está mais ali. Outras vezes sente que por uma fração do tempo ela volta e vc tenta agarrar aquele momento para que não fuja novamente. Nem sei o que é melhor, pois quando vem alguma lucidez, ela se dá conta do que está lhe acontecendo e sofre. Existem muitos momentos difíceis, mas por incrível que pareça ainda tem muitos momentos bons. Ainda ganho colo, beijos, abraços e sorrisos. Pela manhã quando eu a acordo, sempre ganho um bom dia com um grande sorriso. Ela já começa a falar uma porção de coisas, sem nexo, mas feliz da vida. Sempre que vou lhe dar banho ou mudar sua roupa para durmir, eu canto alguma música antiga e ela canta junto comigo. Ela sempre gostou de cantar. Ela nos criou costurando para fora, e estava sempre cantando enquanto trabalhava. Muitas vezes eu sentia que a música que ela cantava mostrava o que ela estava sentindo. Eu nunca vou me esquecer de uma vez, há muito tempo atrás, que ela cantou a mesma música o dia todo: "Deixa em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa, e qualquer desatenção, faça não, pode ser a gota d'água." E muitas vezes nos últimos dias essa música tem vindo à minha mente.

Um comentário:

  1. Sei, sei infelizmente como é, preferia não saber.

    Que saudade de ouvir minha mãe cantando enquanto estendia roupa na corda, cheia de energia.
    Sempre acreditei que a energia dela era infinita, me enganei.

    Beijos,

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