22 de set de 2006

Há dois dias um amigo me perguntou se podia fazer uma pergunta pessoal, e eu disse que sim, visto que não tenho problemas em falar de meus sentimentos. Ele me questionou sobre meu pai. Notou que eu não falei dele da mesma forma como da minha mãe.
Provavelmente outros que lêem aqui devem ter percebido o mesmo, então resolvi escrever sobre isso.Não, não era o mesmo, ou melhor, era infinitamente diferente.

Meu relacionamento com ele não era muito bom, não era de pai para filha ou vice-versa. na realidade sempre me senti como se não tivesse "pai". Sei que é estranho ler isso, e eu não vou agora me estender muito no assunto, nem é o momento. Nas minhas lembranças não há carinho, não há conversas... Haviam muitas mágoas, muitos aborrecimentos. Foi quem mais me fez sofrer.

E é muito difícil admitir isso.

Pouco antes de minha mãe morrer, eu pressenti o que ía acontecer e foi aí que briguei com Deus. Eu sabia que minha mãe ía morrer antes dele. Ela, uma pessoa que sempre amou a vida e ele uma pessoa que sempre gostou de ser infeliz e fazer infeliz quem estava ao seu redor,que sempre dizia que queria morrer, que desde que me entendo por gente dizia que ía embora de casa, ía viver... Eu não aceitava isso...
Dei a ele tudo que ele precisava. Tenho a conciência tranquila, mas não existia amor entre nós.
Sofri com a morte dele sim. Primeiro porque nenhum ser humano merecia passar o que ele estava passando e pela morte daquele que eu queria que ele tivesse sido para nós.
Eu entendo porque ele era como era, mas isso não conseguia apagar as marcas que eu trazia comigo. Espero de coração que ele esteja em bom lugar, que tenha encontrado a paz que nunca teve porque nunca conseguia ver o lado bom de nada.
Não é a hora de eu julgá-lo, só queria passar um pouco disso para vcs que sempre estiveram ao meu lado.

Durante a estada dele no hospital tivemos tempo de nos resolver um pouco.Engraçado como as coisas acontecem. Eu falei algumas vezes que qdo ele morresse eu não iria ao enterro, porque não era hipócrita. Seria para mim um sossego não tê-lo mais por perto. Todos viveríamos melhor. E no momento que isso aconteceu, só havia eu para cuidar disso: do velório e tudo mais. Fui a última pessoa que falou com ele.

Acho que já deu para vcs entenderem um pouco. Hoje, sempre que choro de saudades de minha mãe, penso nele, de como queria estar chorando por ele também.

Ele foi uma ótima pessoa para todos, menos para sua família.

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