24 de abr de 2006

Desde o dia 30 de março venho contabilizando perdas. A maioria de origens diferentes. Queria me lembrar agora os termos que os contadores usam para classificar certos itens, mas não consigo. Algumas pessoas me dizem para deixar prá lá, não pensar nisso, olhar prá frente, levantar a cabeça... Mas eu acredito que todo sentimento tem que ser vivido para ficar resolvido. Por isso nos últimos dias tenho "curtido" cada um deles, sofrido cada um, chorado cada um.... Há em mim um turbilhão de coisas, mas eis que em alguns momentos me encontro simplesmente coversando comigo mesmo, consolando a mim mesmo em busca da reconstrução. Com certeza não sairei a mesma pessoa que entrou. Como serei ainda não sei. Mas terei que gostar e cuidar da pessoa que sobreviver e emergir de tudo isso. Acho que é a primeira vez que estou vivendo certas coisas, certos sentimentos e acontecimentos sem dividir com ninguém, ou melhor, só comigo mesmo.

12 de abr de 2006

Com certeza todo mundo já ouviu dizer que quando alguma coisa ruim acontece na sua vida, nunca vem sozinha. Parece até que abrem a porteira... Há uma semana exatamente eu venho colecionando perdas, perdas de todo tipo que se possa imaginar. Eu até não deveria reclamar porque nos últimos seis meses eu colecionei muitos ganhos. Se eu colocasse na balança diria que ainda estou ganhando mais que perdendo, porém existem perda de "peso". Um amigo é sempre uma grande perda mesmo que tenhamos um monte ainda. Cada um é um. É como perder filho, as mães que passaram por essa experiência, dizem que podem ter mais filhos, mas nenhum ocupa o lugar do outro. E assim é com amigos. Em uma semana eu perdi quatro. Um eu perdi para a morte e três eu perdi para a vida. Cada perda é única também e traz um sofrimento diferente. E entre tantas perdas e tantos sentimentos meu coração às vezes nem sabe o que sentir. E eu que já vivi tantas perdas na minha vida, hoje me encontro vivendo uma que nunca havia experimentado e a que mais dor me traz.
Existe uma sensação de que uma vida está escapando, saindo entre meus dedos e eu não consigo segurar. Estou perdendo alguém em vida. De repente vc olha um corpo mas sabe que a pessoa não está mais ali. Outras vezes sente que por uma fração do tempo ela volta e vc tenta agarrar aquele momento para que não fuja novamente. Nem sei o que é melhor, pois quando vem alguma lucidez, ela se dá conta do que está lhe acontecendo e sofre. Existem muitos momentos difíceis, mas por incrível que pareça ainda tem muitos momentos bons. Ainda ganho colo, beijos, abraços e sorrisos. Pela manhã quando eu a acordo, sempre ganho um bom dia com um grande sorriso. Ela já começa a falar uma porção de coisas, sem nexo, mas feliz da vida. Sempre que vou lhe dar banho ou mudar sua roupa para durmir, eu canto alguma música antiga e ela canta junto comigo. Ela sempre gostou de cantar. Ela nos criou costurando para fora, e estava sempre cantando enquanto trabalhava. Muitas vezes eu sentia que a música que ela cantava mostrava o que ela estava sentindo. Eu nunca vou me esquecer de uma vez, há muito tempo atrás, que ela cantou a mesma música o dia todo: "Deixa em paz meu coração, que ele é um pote até aqui de mágoa, e qualquer desatenção, faça não, pode ser a gota d'água." E muitas vezes nos últimos dias essa música tem vindo à minha mente.

5 de abr de 2006

senna

Falamos de como é possível fazer amizades virtuais. Gostar e criar amizade com pessoas que nunca vimos, só por conversármos por scraps no orkut ou msn. Isso é muito simples de explicar. Difícil é explicar como se pode amar alguém com quem vc nunca trocou uma palavra, que nem sabe que vc existe. Eu passei por isso. Quem é? Ele foi e continua sendo uma grande paixão. Ele foi e é o único ídolo que tive na vida: Ayrton Senna.

Muitas vezes me questionei isso: como gostar tanto de alguém numa relação de mão única? de alguém que nunca soube que vc sequer existia? Não sei explicar isso. Ainda bem que outras milhões de pessoas tb não sabem. Mas eu o amei e ainda o amo. Desde o início corri com ele, fiz cada curva, dei cada freada, tive raiva, alegrias e todos os demais sentimentos. Muitas vezes terminei de assistir as corridas com dor nas pernas, de tanto que eu freiava. Adorava sua sinceridade. Não é qualquer um que tem a coragem de dizer ao mundo que segundo lugar não serve para ele, que essa coisa de "o importante é competir" é conversa fiada. Ele preferia quebrar o carro do que não lutar até o limite pelo primeiro lugar.

Nunca vou me esquecer daquele primeiro de maio...Tenho todas as imagens vivas em minha mente como se tivessem acontecido hoje. E a parte mais forte de todas é do momento em que ele tombou a cabeça. Ali eu soube que ele tinha morrido. E chorei, e choro sempre que assito imagens dele, sempre que ouço a Tema da Vitória, assim como choro nesse momento em que estou escrevendo. Um choro doído, como se tudo tivesse acontecido hoje.

Como pode ser isso? De onde vem esse sentimento? Como posso sentir isso 12 anos depois? Não sei e nunca saberei.

Foi com a perda dele que eu conheci , de verdade, o que representa a palavra saudade.

Ele está vivo na minha vida, no meu mundo, no meu quarto. Os posters, os livros, as miniaturas dos carros, do capacete, dos DVD's... ele está por todo lado.

Na minha vida, no meu coração existe um buraco que ninguém, ninguém mesmo jamais preencherá.