31 de ago de 2006

Ontem foi o velório e hoje a cremação. Tudo feito e resolvido. Seguiu o caminho dele.
Meu irmão está ótimo!!! Desde terça que usa o andador e a partir de amanhã já passará para a bengala. A dor que o atormentou por 3 anos não existe mais. Nada poderia me fazer mais feliz!!!!



Eu tinha 3 grandes preocupações e missões: minha mãe, meu pai e meu irmão. Sobre meu irmão o problema que ele vinha enfrentando, seu sofrimento, tb me fazia sofrer muito. Hoje estou dando por encerrada as três, sim , porque em relação ao Silvano o meu grande problema agora era a cirurgia e seu resultado. Quanto a isso tb dou como encerrado. Agora é só a longa recuperação. O importante é que agora é só melhorar.

E eu aqui sentada na frente desse pc. O que fazer agora? tenho um mundo de possibilidades à minha frente. Planos, sonhos... Confesso que tenho dificuldade em pensar em mim. Mas vou conseguir. Um passo de cada vez, um dia de cada vez.

29 de ago de 2006

No final da tarde o pai foi se encontrar com a mãe....
Depois de 3 anos de tratamento, dores 24 hs por dia, eventuais crises e 8 meses aguardando a marcação, finalmente ontem meu irmão e meu melhor amigo, de quem sinto muita falta, operou a coluna no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília e correu tudo bem. Foram 8 hs de cirurgia e uma agonia infindável para mim. Depois de tudo que tem me acontecido, confesso, que mesmo estando otimista, tive uma ponta de medo que algo desse errado.
Na cirurgia, feita pela frente, um novo método, eles retiraram um pedaço do osso da bacia e colocaram entre duas vértebras onde ele não tinha mais o disco. Agora serão 11 dias até tirar os pontos e usará um colete, feito de um material que parace garrafa pet, só que mais grosso, que pega todo o tronco e uma parte do bumbum, até que calcifique. Só não sabemos ainda qdo ele será liberado para voltar ao Rio onde eu e Camila, minha sobrinha, o aguardamos anciosas.

O pai, que amanhã completa dois meses que está no hospital, depois de 50 dias na UTI (mamãe morreu 10 dias depois dle ser internado), havia ido para enfermaria, mas só por 5 dias. No domingo à noite voltou para UTI, onde está entubado, sedado e o rx do pulmão é muito ruim. A médica me chamou ao hospital pq ele queria falar com os filhos, estava muito agitado. Então ela me ligou pedindo que eu fosse antes de entubá-lo. A médica falava comigo com lágrimas nos olhos e diversas enfermeiras, mesmo de outros andares, estavam indo lá para vê-lo. É muito bom qdo vc se depara com coisas como esta. Demonstrações de carinho por uma pessoa que conhecem há apenas dois meses. E vc nota no dia a dia esse mesmo sentimento em relação a muitos pacientes que lá estão e vindo de diversos médicos e enfermeiros.

Ele falava muito, estava bem inquieto, mas o que de mais importante disse é que ele não podia mais ficar aqui, que já estava nas mãos de Deus e que ía para junto de minha mãe.

Só peço que Deus tenha misericórdia.

10 de ago de 2006

Hoje faz um mes que minha mãe se foi... Se me perguntassem como eu estaria no dia de hoje, minha resposta seria o oposto de como estou. Estou tranquila e não chorei uma vez sequer. Já não penso nela como estava, com a doença. Me lembro de momentos tão bons e felizes... Me sinto uma privilegiada por ter sido filha dela. Há tantas lembranças boas, tantos momentos importantes. Na realidade, as vezes tenho a impressão de que tudo aconteceu há muito mais tempo. Hoje só sinto saudade de uma coisa: de seus beijos e abraços repletos de carinho e amor.
Nesse último mes, muita coisa mudou em mim. Não sei bem se o verbo é "mudar". A cada dia que passa me sinto mais tranquila, mais relaxada. Tenho feito coisas , mexido em coisas minhas que há muito eu não fazia ou mexia. Não há uma ordem, não há planejamento. Tenho deixado fluir. Faço o que tenho vontade naquele momento. Mexo no que dá vontade. Coisas que ficaram contidas em mim, hoje estão voltando. Porém o mais importante de tudo é que não me arrependo de nada que fiz ou deixei de fazer por ela. Faria tudo de novo e muito mais.