28 de set de 2006

Semana passada eu descobri que tenho espaço limitado para esse blog e que estou quase estourando esse espaço. Aí pensei que precisaria de um assunto especial para encerrar com ele. Diversas idéias me ocorreram, mas hoje decidi falar de diversas coisas...
Esse mes faz um ano que entrei no mundo virtual. Já falei disso aqui. Um ano de orkut. Uma experiência e tanto... Entrei com um objetivo que logo foi esquecido. Fiz amigos, fiz inimigos, amei, briguei, aprendi, sofri, me diverti.... Conheci muita gente, mas com o tempo, como é natural, foi passando na peneira e os mais importantes foram ficando. Muito interessante é que a primeira amiga que fiz permanece até hoje e nossa amizade tem se fortificado cada vez mais. Anjos em forma de gente que tiveram uma importância fundamental neste meu último ano de vida. Pode parecer exagero, mas tudo teria sido muito mais difícil sem eles na minha vida. Tiveram paciência, carinho, preocupação e amor por mim. Não sei se teremos contato pelo resto de nossas vidas, mas sei que estarão sempre no meu coração. Sei que não foi fácil me aturar em determinados momentos, mas nunca nenhum deles reclamou. Teve um em especial que sofreu mais, pois mantínhamos mais contato e aturava mais minhas mudanças de "humor".
Estou num momento de transição em minha vida e isso também não é fácil. Minha cabeça em alguns momentos borbulha, são tantas coisas que quero realizar... em outros momentos dá uma parada, como um branco. Da mesma forma que também dá medo. Passei muito tempo pensando nos outros, cuidando dos outros e agora tenho que pensar em mim, cuidar de mim. Mas tenho certeza que vou me sair bem. Obrigada a cada um de vocês que fizeram parte desse meu ano, obrigada pelo carinho, pela paciência, pelo amor com que vcs me alimentaram.
Amanhã faz um mes que meu pai faleceu. Me questiono ainda sobre nosso relacionamento e procuro lembrar de momentos bons, que foram poucos , mas que existiram.
Sábado, dia 30, seria aniversário de minha mãe. Como diz meu irmão, vamos passar agora por um período marcado pelas primeiras datas sem ela. O primeiro aniversário, o primeiro Natal, o primeiro Dia das Mães.... 
Esse blog, em sua maioria, falou dos problemas que passei. Aqui mesmo recebi muito carinho. Obrigada a todos que leram e me deram esse carinho, mesmo que não deixasse aqui um comentário, falavam comigo por e-mail ou msn.
Para terminar, vou deixar aqui uma foto minha que é a minha preferida. Quando olho para ela eu vejo uma Luci que gostava de ser e que quero voltar a ser. E vou voltar a ser.



Assim que abrir novo blog  passo o endereço a vocês. Beijos e muita paz e alegrias à todos.

atualização em 01/05/2011
- Eu só trouxe alguns posts do primeiro blog para esse, os mais importantes para não serem esquecidos.
- Todos os dias estarei republicando posts mas vc não verá em suas atualizações por cta da data. Então se quiser acompanhar venha aqui me visitar :)

22 de set de 2006

Há dois dias um amigo me perguntou se podia fazer uma pergunta pessoal, e eu disse que sim, visto que não tenho problemas em falar de meus sentimentos. Ele me questionou sobre meu pai. Notou que eu não falei dele da mesma forma como da minha mãe.
Provavelmente outros que lêem aqui devem ter percebido o mesmo, então resolvi escrever sobre isso.Não, não era o mesmo, ou melhor, era infinitamente diferente.

Meu relacionamento com ele não era muito bom, não era de pai para filha ou vice-versa. na realidade sempre me senti como se não tivesse "pai". Sei que é estranho ler isso, e eu não vou agora me estender muito no assunto, nem é o momento. Nas minhas lembranças não há carinho, não há conversas... Haviam muitas mágoas, muitos aborrecimentos. Foi quem mais me fez sofrer.

E é muito difícil admitir isso.

Pouco antes de minha mãe morrer, eu pressenti o que ía acontecer e foi aí que briguei com Deus. Eu sabia que minha mãe ía morrer antes dele. Ela, uma pessoa que sempre amou a vida e ele uma pessoa que sempre gostou de ser infeliz e fazer infeliz quem estava ao seu redor,que sempre dizia que queria morrer, que desde que me entendo por gente dizia que ía embora de casa, ía viver... Eu não aceitava isso...
Dei a ele tudo que ele precisava. Tenho a conciência tranquila, mas não existia amor entre nós.
Sofri com a morte dele sim. Primeiro porque nenhum ser humano merecia passar o que ele estava passando e pela morte daquele que eu queria que ele tivesse sido para nós.
Eu entendo porque ele era como era, mas isso não conseguia apagar as marcas que eu trazia comigo. Espero de coração que ele esteja em bom lugar, que tenha encontrado a paz que nunca teve porque nunca conseguia ver o lado bom de nada.
Não é a hora de eu julgá-lo, só queria passar um pouco disso para vcs que sempre estiveram ao meu lado.

Durante a estada dele no hospital tivemos tempo de nos resolver um pouco.Engraçado como as coisas acontecem. Eu falei algumas vezes que qdo ele morresse eu não iria ao enterro, porque não era hipócrita. Seria para mim um sossego não tê-lo mais por perto. Todos viveríamos melhor. E no momento que isso aconteceu, só havia eu para cuidar disso: do velório e tudo mais. Fui a última pessoa que falou com ele.

Acho que já deu para vcs entenderem um pouco. Hoje, sempre que choro de saudades de minha mãe, penso nele, de como queria estar chorando por ele também.

Ele foi uma ótima pessoa para todos, menos para sua família.

13 de set de 2006

Vocês nem imaginam o que aconteceu. Segunda-feira como eu havia dito, Silvano teve alta do hospital e iria ficar na casa do meu primo até o dia 30 para fazer a primeira revisão da cirurgia. Porém a recuperação dele está tão boa que os médicos o liberaram para voltar ao Rio, e só o querem lá novamente no dia 3 de novembro.
Sendo assim, desde ontem à noite temos Silvano de novo conosco.
O padrinho da Camila a levou ao aeroporto com a desculpa que íam buscar um amigo dele para fazer surpresa para ela. Imaginem como foi....

Eu fui do trabalho direto para o apartamento deles apara esperá-los lá. Quando chegaram e abri a porta, Silvano já chorava compulsivamente. Ficamos abraçados chorando por muito tempo. Tantos motivos para chorar.... Eu estava feliz por vê-lo de volta e bem, esperei muito por esse dia. Meu único irmão, meu melhor amigo e meu porto seguro. Foi muito difícil passar os últimos acontecimentos sem ele por perto, além de não poder estar lá com ele nesse momento que ele estava passando. A ele o que não falta são motivos. Estar de volta à sua casa e ao convívio da família. Finalmente ver realizada essa cirurgia e bem sucedida depois de tanta espera e sofrimento. Com a doença do pai nem houve muito tempo para ele chorar a morte de mamãe de quem temos uma saudade imensa. O pai morreu no dia seguinte a cirurgia dele, ou seja, ele não vivenciou o fato e só agora com o retorno dele que vai sentir mais isso. Eu ainda não peguei as cinzas do pai, porque ele me pediu que queria ir junto pegar e jogar no mesmo lugar que jogamos as da mamãe, para que ele pudesse participar de algo e se despedir.

Esses dois últimos meses de nossa vida têm sido muito difíceis. São muitos sentimentos e sentimentos diferentes. Acho que finalmente agora vamos poder sossegar um pouco nosso coração. É uma vida nova para nós.