12 de jun de 2007


Muitos dizem que esse tipo de data é puramente comercial, mas eu penso que isso depende das pessoas, de como elas vivem essas datas. Tem namorados que simplesmente compram presentes, saem para jantar, têm uma noite de amor só para cumprir o dia. Porém, felizmente tem aquelas pessoas que aproveitam essa data e fazem dela mais um momento especial. Comemoram o amor de verdade. Procuram algo especial para surpreender a pessoa amada e sentem prazer nisso, de fazer o outro feliz.
Eu estou sem namorado e isso já faz um tempo. O maior motivo disso hoje é que com a idade nos tornamos mais exigentes, mais seletivos. Não quero ter um namorado só por ter, só para que as pessoas vejam que não estou sozinha, para preencher um espaço na minha vida. Muitos amigos se "preocupam" com isso, gostariam e torcem para que eu encontre alguém. Eu gostaria de encontrar, mas alguém especial. E quanto a isso o mercado anda escasso. Para ser meu namorado tem que mexer com meus alicerces, tem que dar friozinho no estômago, tem que ter saudades quando está longe, tem que ser companheiro, tem que me divertir, rir e chorar comigo, ter prazer nas pequenas coisas. Eu sei que a vida não é um conto de fadas, mas temos que tirar dela o melhor possível. Não quero alguém que não me deixe ansiosa por encontrá-lo, que não tenha vontade de ligar no meio do dia para falar besteiras, que não pense em mim como pessoa, que seja egoísta só querendo receber, para quem eu não faça a diferença.
Hoje eu tenho uma liberdade da qual só vou abrir mão por alguém que realmente valha a pena, alguém quem venha acrescentar e não diminuir. Enquanto ele não aparece, se é que um dia aparecerá, eu fico com a minha companhia, da qual gosto muito e com a companhia dos amigos, que valem muito mais do que certos namorados. Hoje ao abrir meu e-mail, tinha uma mensagem linda de um amigo, que com a licença dele vou transcrever aqui: "Feliz Dia dos namoradossssssssss! Lu, você pode não ter AINDA um namorado, mas tem amigos que te amam muito, então para que você não fique sem um abraço hoje, segue o meu abraço apertado e um beijo neste coração lindo. " Isso tem um valor incalculável!!!
Feliz Dia dos Namorados para todos vocês!! Os que tem e os que não tem. Hoje á noite vou abrir um vinho para comemorar, não porque eu tenha namorado, claro, mas porque pelo menos eu não tenho uma titica de namorado, o que já é uma grande coisa :D

11 de jun de 2007

a alma do outro


É um texto um pouco longo, mas que vale a pena ser lido.


"A alma do outro é uma floresta escura", disse o poeta Rainer Maria Rilke, meu único autor de cabeceira.

A vida vai nos ensinando quanto isso é verdade. Pais e filhos, irmãos, amigos e amantes podem conviver décadas a fio, podem ter uma relação intensa, podem se divertir juntos e sofrer juntos, ter gostos parecidos ou complementares, ser interessantes uns para os outros, superar grandes conflitos – mas persiste o lado avesso, o atrás da máscara, que nunca se expõe nem se dissipa.

Nem todos os mal-entendidos, mágoas e brigas se dão porque somos maus, mas por problemas de comunicação. Porque até a morte nos conheceremos pouco, porque não sabemos como agir. Se nem sei direito quem sou, como conhecer melhor o outro, meu pai, meu filho, meu parceiro, meu amigo – e como agir direito?

Neste momento escrevo, como já disse, um livro sobre o silêncio. Começou como um ensaio na linha de O Rio do Meio e Perdas & Ganhos, mas acabou se tornando um romance, em pleno processo de elaboração. Isso me faz refletir mais agudamente sobre a questão da comunicação e sua por vezes dramática dificuldade, pois nos mal-entendidos reside muito sofrimento desnecessário.

Amor e amizade transitam entre esses dois "eus" que se relacionam em harmonia e conflito: afeto, generosidade, atenção, cuidados, desejo de partilhamento ou de vida em comum, vontade de fazer e ser um bem, e de obter do outro o que para a gente é um bem, o complicado respeito ao espaço do outro, formam um campo de batalha e uma ponte. Pontes podem ser precárias, estradas têm buracos, caminhos escondem armadilhas inconscientes que preparamos para nossos próprios passos em direção do outro. O que está mergulhado no inconsciente é nosso maior tesouro e o mais insidioso perigo.

Pensar sobre a incomunicabilidade ou esse espaço dela em todos os relacionamentos significa pensar no silêncio: a palavra que devia ter sido pronunciada, mas ficou fechada na garganta e era hora de falar; o silêncio que não foi erguido no momento exato – e era o momento de calar.

Mas, como escrevi várias vezes, a gente não sabia. É a incomunicabilidade, não por maldade ou jogo de poder, mas por alienação ou simples impossibilidade. Anos depois poderá vir a cobrança: por que naquela hora você não disse isso? Ou: por que naquele momento você disse aquilo?

Relacionar-se é uma aventura, fonte de alegria e risco de desgosto. Na relação defrontam-se personalidades, dialogam neuroses, esgrimem sonhos e reina o desejo de manipular disfarçado de delicadeza, necessidade ou até carinho. Difícil? Difícil sem dúvida, mas sem essa viagem emocional a existência é um deserto sem miragens.

No relacionamento amoroso, familiar ou amigo acredito que partilhar a vida com alguém que valha a pena é enriquecê-la; permanecer numa relação desgastada é suicídio emocional, é desperdício de vida. Entre fixar e romper, o conflito e o medo do erro.

Somos todos pobres humanos, somos todos frágeis e aflitos, todos precisamos amar e ser amados, mas às vezes laços inconscientes enredam nossos passos e fecham nosso coração. A balança tem de ser acionada: prevalecem conflitos ásperos e a hostilidade, ou a ternura e aqueles conflitos que ajudam a crescer e amar melhor, a se conhecer melhor e melhor enxergar o outro? O olhar precisa ser atento: mais coisas negativas ou mais gestos positivos? Mais alegria ou mais sofrimento? Mais esperança ou mais resignação?

Cabe a cada um de nós decidir, e isso exige auto-exame, avaliação. Posso dizer que sempre vale a pena, sobretudo vale a pena apostar quando ainda existe afeto e interesse, quando o outro continua sendo um desafio em lugar de um tédio, e quando, entre pais e filhos, irmãos, amigos ou amantes, continua a disposição de descobrir mais e melhor quem é esse outro, o que deseja, de que precisa, o que pode – o que lhe é possível fazer.

Em certas fases, é preciso matar a cada dia um leão; em outras, estamos num oásis. Não há receitas a não ser abertura, sinceridade, humildade que não é rebaixamento. Além do amor, naturalmente, mas esse às vezes é um luxo, como a alegria, que poucos se permitem.

Seja como for, com alguma sorte e boa vontade a alma do outro pode também ser a doce fonte da vida.

Lya Luft é escritora - texto publicado na Revista Veja de 25/04/2007)