29 de nov de 2008

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Estou muito triste. Sei que para alguns pode parecer exagero ou besteira. mas é assim que me sinto em relação ao que está acontecendo em Santa Catarina. Sei que não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece, mas talvez por eu estar num momento diferente da minha vida, esse episódio tem me tocado muito.
Não acredito muito em coincid~encia, mas o fato é que antes disso tudo eu passei alguns dias assistindo alguns filmes que mexiam com a emoção. Comentei isso com uma amiga. Disse que as vezes precisávamos ter contato com certas coisas para valorizarmos mais a outras. para não esquecermos de algumas coisas e não deixar nosso coração endurecer.
Tenho me emocionado muito, chorado muito assistindo cenas, depoimentos.. Apesar de tanta coisa triste o que mais mexe comigo é ver a força que as pessoas buscam diante da tragédia. De ver que o que aconteceu com ela é pouco perto do que aconteceu a outras pessoas. Ver a disposição de se doar.
Não vou ficar citando exemplos do que me tocou porque esse post ficaria uma imensidade, já que grande ele vai ficar.
Há coisas ruins que acontecem e que na realidade se tornam boas. Vou explicar. Elas dão ao ser humano, a oportunidade de escolher. Você olha simplesmente, acha chato e continua a sua vida como se nada tivesse acontecido. Afinal, o que se pode fazer, não é? Ou então você busca uma forma de fazer a sua parte, nem que seja uma simples oração por essas pessoas, ou agradecer porque você não tem o que reclamar de sua vida diante de tudo isso.
Invejo as pessoas que estão lá ajudando. Adoraria poder estar com eles.
A Ana Maria Braga leu uma mensagem em seu programa que dizia muito do que penso. Também recebi um mail de diversas pessoas sobre o assunto. Vou postar os dois aqui.
Sim, são grandes, mas acho que pode valer a pena parar um pouco e lê-los. Deixe tocar seu coração. Não se incomode de se emocionar, de parar para pensar...
Os textos diz tudo que eu gostaria de escrever.
Eu tenho muito orgulho de ser brasileira!
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A Natureza revidou
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As alterações climáticas vieram como um alerta vermelho piscante..
E a beleza estonteante de Santa Catarina se converte em lágrimas; Desabrigados, refugiados, mortos...
O cenário lembra uma guerra
E não era na Indonésia, nem no Afeganistão.
Gente de terras tupiniquins, que fala a mesma língua e pisa no mesmo solo ... e que não poderia supor que a desgraça fosse tão palpável e que, do dia para a noite, pudesse perder a própria identidade
Aí você olha pro controle remoto, pensa na cama quentinha, no cheirinho de comida vinda do fogão, aquele copo de água geladinha em cima da pia, carro novo na garagem... e seu ar falta por um instante.
Seu pensamento não consegue afastar essa idéia: ‘ E se fosse com minha família?’
No meio do caos, aparece a esperança para iluminar as atitudes de uma nação.
E o povo brasileiro se reúne com a mais pura intenção de ajudar ao próximo
Como uma criança que vê seu irmão caído no chão, e se abaixa, mesmo sem forças, para tentar levantá-la, a população faz verdadeiros mutirões para arrecadar fundos e enviar às vítimas da enchente que abalou Santa Catarina.
Comerciantes fazem rateio entre os clientes.
Condomínios mobilizam moradores
Escolas enviam comunicados.
E assim, o país inteiro levanta do sofá pra tentar reerguer uma cidade.
A comoção nacional fez com que cada brasileiro tomasse uma atitude.
E transformasse a impotência em solidariedade, às vésperas do Natal Aproveite que seu coração está sensível ... olhe pro lado ao invés de achar que o mundo gira em torno do seu umbigo Talvez seja essa a lição que as catástrofes nos ensinem
Que é possível dar as mãos para tentar reverter uma situação ... sentir a dor do outro e fazer alguma coisa para ajudá-lo ... e ver como é comovente uma nação se unindo em prol de uma causa. Só precisamos afastar a cegueira que nos impede de enxergar isso DIARIAMENTE, E abraçarmos as causas... antes que seja tarde demais!
(Cinthia Dalpino)
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Hoje 27 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar atrabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituososnormais sobre esta "folga forçada" a verdade é que nunca me senti tãofeliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pelainstituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão,mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aquina nossa Itajaí.
As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão asimagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estendernarrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês jásabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas.

Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda ésurpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazeraflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintosmais primitivos. As cenas e situações vividas neste final de semanaprolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza eimpotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, pararecupera-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitaráda desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quandotodos se dão as mãos.

Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda,GADU etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:

- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados,levando principalmente bebidas e cigarros
- Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados,equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidadeque ficaram assim como a estrutura física da mesma.
- Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.
- Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás.
- Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pravender nas áreas alagadas.
- Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo nãotendo suas casas atingidas.
- Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.
- Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome paranão ter suas casas saqueadas.
- Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração.
- Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem emáreas secas.

Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:

- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram nodomingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.
- Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nosinstruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.
- A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim desemana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas efizeram tanta diferença.
- À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nosconhecíamos de toda uma vida.
- Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.
- Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras quetrouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.
- Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação seportaram com veteranos.
- Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram ,orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suaspróprias casas embaixo das águas.
- Aos Médicos Voluntários.
- Às enfermeiras Voluntárias.
- Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.
- Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgatesnos locais de difícil acesso.
- Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveramtempo nem pra respirar.
- Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, quemostrou que longo é o braço da solidariedade.
- Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve aesperança de quem estava isolado em casa.
- Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar edescarregar caminhões nos centros de triagem.
- Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.
- Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitexno centro de triagem.
- A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.
- A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.
- A todos que oraram por todos.
- Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.
- Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.
- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.
- A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.
- A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.

Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu isto:

COMEÇAR DE NOVO

Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não lembrava os idosos
Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio
Até ser ela que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos
Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não lembrava o nome de todos os estados
Agora guardo cada um no coração
Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo.

Anônimo


É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não sómaterialmente. Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de sereinventar e de crescer como ser humano.
Pelo menos é a minha hora, acredito.

Que Deus abençoe a todos.