23 de nov de 2009

Saudades de sua voz

Terminei meu trabalho por hoje e fui dar uma última lida nas notícias antes de desligar o pc. Uma chamada para reportagem na Revista Época chamou minha atenção e fui dar uma lida.
É sobre a vida de Odele e sua filha Flávia que está em coma há quase 12 anos. Ía apenas passar os olhos mas acabei lendo toda a reportagem que tem 3 páginas e não me arrependi, muito pelo contrário. Não, não é apenas algo triste ou apelativo que pode fazer você ficar de baixo astral, é acima de tudo uma história de amor, de muito amor e de muita coragem e não é uma história feita só por Odele e Flávia. Mostra também o que muitos de nós já sabemos, o poder da blogosfera, sua capacidade de unir, de trazer para dentro de nossa casa o carinho e apoio de diversos lugares do mundo. Mostra quanto amor e solidariedade ainda existe. Ah mas também mostra o lado ruim de alguns seres humanos (ops!). Enfim, é algo que lemos e nos dá uma visão além, que nos faz pensar e crescer.
Para ter acesso a reportagem é só clicar AQUI. Odele abriu um blog em 2007 e se você quiser dar uma olhada é só clicar AQUI.
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" Odele fez amizades profundas com gente que nunca tocou. Talvez no mundo fluido, impalpável da internet, seja mais possível alcançar a fragilidade da ausência encarnada de Flavia.
Em torno de Odele e de Flavia foi tecida uma rede que dá amparo e sentido à perda de cada dia. São, em grande parte, amigos de Portugal, que se identificaram com a narrativa de Odele no blog e hoje irrompem pela casa das mais variadas maneiras, espanando as sombras com “coisas ternurentas”. Desde que a medicina encontrou seus limites, é o afeto que salva Odele. Enquanto Flavia dorme em seu casulo, a sua cabeceira nasce uma borboleta pelas fotografias de Nuno Sousa. Outra artista portuguesa, Isabel Filipe, cria novos enredos para a vida de Flavia em fotografias. Mas é um português chamado António Peciscas que as alcança com uma singeleza de sentimentos capaz de redimir a brutalidade daquele sono sem despertar.
De sua casa, no Porto, esse professor sessentão, pai de um filho adulto, envia gravações para Flavia ouvir. Nelas, narra as delicadezas de um cotidiano povoado de banalidades extraordinárias. Pela sua voz, Flavia pode tocar o pelo de uma gata branca que por lá aparece não para comer, mas para receber afagos. “Olá, querida Flavia. Cá está o António uma vez mais...”, inicia ele, como um avô de sotaque português, a voz doce como um pastel de Santa Clara. Grava os sons que se ouvem em sua rua. O sino da igreja, o galo do vizinho e até seus passos apressados sobre as folhas do parque. Nos domingos solitários, a voz de António é a única a quebrar o silêncio da vigília de Odele. "

6 comentários:

  1. Oi, Luci! :)
    Antes de tudo, obrigada pelas felicitações no Bicha Fêmea. :)

    Sobre este post, queria dizer que acabei de ler a matéria, do começo ao fim. Vou conhecer o blog também. Fiquei confusa, sem palavras, sem ação... não sei nem formular nada diante da grandiosidade do sofrimento de Odele. Obrigada por compartilhar. Embora eu tenha ficado tão desconcertada, sinto que cada vez mais vale a pena fazer o que fiz hoje quando estava lenvantando meu corpo da cama: agradecer a Deus pela oportunidade de viver mais um dia.

    AH! Espere meu texto na promoção, viu?! :)

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  2. Oi, Luci ! Menina, vim agradecer tua visita e dei de cara com esse post desconcertante... Vou lá ver o blog e a reportagem. Caramba, como a gente é feliz e às vezes nem percebe, né ?

    Bjs, lindona !

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  3. Oi Luci, que bom te encontrar!
    Virei sempre aqui agora e tb te espero lá pra tomar sempre café com bolo comigo.
    Que estória, ein? cada vez me convenço mais de que sou muito feliz! mesmo com todos os problemas que a gente tem, tem gente com uma carga tão mais pesada, que só nos resta ser grata à vida.
    Um beijo

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  4. Menina
    Já conhecia o blog e a história da Flávia, inclusive o blog tá linkado no Mundinho há um tempão.
    A história é profundamente triste e já foi notícias em várias mídias, até programa de televisão (O Melhor do Brasil da Rede Record).
    Cabe a nós nos sensibilizar com ela e ficarmos atentos às piscinas que podem ser traiçoeiras as vezes...
    Bj grande

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  5. Eu conheci o blog e a história há um tempo atrás...
    E fiquei num misto de tristeza, pela fatalidade, e alegria por ver que ainda há gente solidária neste mundo...

    Além disso, não canso de agradecer por minha vida e saúde...

    Ótima iniciativa em divulgar a história, Luci...

    Beijão procê!

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  6. Luci, vim agradecer a visita ao meu novo cantinho e comentar seu texto sobre essa história tão emocionante... nossa, como é difícil dimensionar a dor dessa mãe! Talvez essas demostrações de carinho vindas de pessoas desconhecidas amorteçam um pouco o sofrimento e tragam um pouquinho de alívio e a sensação de não estar sozinha perante a difícil situação. E talvez a Flavia possa sentir esse carinho e preocupação em volta dela, quem sabe? Beijos!

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