28 de abr de 2010

a tal da felicidade


Lembra quando eu escrevi sobre ser feliz? Para quem não leu, foi aqui e aqui.

No domingo a Martha Medeiros escreveu sua coluna com o título "Feliz por nada" (já contei que sou fã dela, né?) e eu quero partilhar com você alguns trechos.

"Geralmente, quando uma pessoa exclama "Estou tão feliz!", é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.
Digamos: feliz porque ainda é abril e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque se achou bonita. Feliz porque existe uma perspectiva de uma viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há melhor lugar no mundo do que sua cama.
Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo?
Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. "faça isso, faça aquilo". A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho? (euzinha, Luci, amei essa parte e tinha que negritar, pois só ela dá muito a pensar)
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando "realizado", também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. Felicidade é ter talento para aturar, é divertir-se com o imprevisto, trabsformar as zebras em piadas, assombrar-se positivamente consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem. (desculpem, mas putaqueopariu! eu quero muito isso! é Luci de novo!)
Liberte-se de tanto pensamento, de tanta procura por adequação e liberdade. Ser uma pessoa adequada e livre - simultaneamente! - é uma senhora ambição. demanda a energia de uma usina. Para que consumir tanto?
E tempo esgotado para o questionário de Proust, essa mania de ter que responder quais são seus defeitos, suas qualidades, sua cor preferida. Chega de se autoconhecer! Você já está aqui, já tem seu jeito, já carimbou seu estilo e assumiu que é um imperfeito bem intencionado.
Feliz por nada talvez seja isso."

Será que eu preciso dizer, pelo tamanho, que eu não consegui escolher só algumas partes do texto para postar aqui? E dava pra tirar alguma coisa? Vou colocar esse texto na minha mesinha de cabeceira...
Vamos tentar ser mais felizes?

Tomara que você tenha gostado :)

14 comentários:

  1. Luci, que lindo texto e belo post!!! Felicidade é paz de espírito, tenho aprendido um pouquinho a cada dia, a manter esta paz, não por nada nem por ninguém, mas por tudo.
    Muito obrigada por compartilhar!!!
    Beijão e tudo de bom
    Vero

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  2. Boa noite Luci, estava vendo meu blog hoje, depois de dois dias terríveis da minha vida.
    Quero te dizer que conheci uma pessoa feliz, exatamente como voce descreve no texto da Martha Medeiros. Essa pessoa foi muito importante na vida de todas as pessoas que conhecia. Conseguia transmitir essa felicidade que está no texto.
    Infelizmente, ele nos proporcionou a todos, o dia mais triste do mundo: o dia da sua morte. Mas ainda assim deixou um pouquinho da felicidade que lhe era inata em todas as pessoas com quem conviveu.
    Este era meu marido.
    Um homem feliz, por nada...

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  3. Olá Luci
    Boa noite.
    Achei bonito e interessante o texto.
    Penso que ser feliz talvez seja o TODO da vida.Saber passar por cima dos desgastes,decepções.
    Mas tudo isso está dito dentro desse texto maravilhoso que você nos presenteou.
    Abraço carinhoso

    28/4/10 23:46

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  4. Oi Luci, esse texto é realmente ótimo!

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  5. Martha é demais sempre e é daqui da minha cidade.beijos, lindo dia!chica

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  6. Também adoro os textos da Martha!
    Eu acho que temos um problema de definição de felicidade... deveríamos estar felizes o maior tempo possível e essas alegrias por promoções, presentes, etc... deveriam ter outro nome.
    O que estamos todos os dias? Qual é a definição? Vivendo e só? Mto pouco né??? rssss.
    Eu me considero uma pessoa feliz e tenho momentos alegres, prefiro pensar assim, até achar uma definição mais adequada pra alegre!
    Beijos
    lelê

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  7. A gente se cobra tanto, não é mesmo? E c/ isso perde gdes oportunidades de ser feliz por nada!
    Lí um texto ontem, salvei no pc do serviço, hj vou postá-lo, tem tudo a ver c/ o que vc escreveu, acho que é o tal "pensamento coletivo".

    Bjs♥

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  8. Querida

    Tem selinho pra você lá no Mundinho. Passa lá.

    Bjs

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  9. Muito bom! Gosto do trabalho dela, ela escreve muito bem. O livro dela, Doidas e Santas, é muito bom.

    Excelente, vou copiar o texto para ler e reler. Bjos, querida Luci!

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  10. Adorei!
    Eu consigo ser feliz por nada...é como não ser obrigado a ser feliz por alguma coisa. É ser livre!

    Um grande abraço, amiga Luci.

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  11. Oi, Luci,
    Que lindo esse texto! A Martha é fantástica, eu adoro! Obrigada por nos lembrar que a hora de ser feliz é a-go-ra! Vamos, então?
    Um beijo bem feliz pra você!

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  12. Gostado? Eu amei!! Esta busca também é minha, que quero ser menos normativa e mais leve, mais "desencanada". Ainda não cheguei lá, mas estou no caminho. Vem comigo? kkk
    Beijos.

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