7 de jun de 2010

Seu Clak

Na última semana entrei em clima de Copa do Mundo, não tanto pelos jogos, mas pelas fantásticas reportagens que tenho assistido na Globo e na Globo News. Gosto muito de conhecer novas culturas e o povo africano sempre me atraiu muito, principalmente por sua alegria, mesmo vivendo uma vida tão difícil.
Li que a Globo mandou 250 profissionais e com isso cada programa de jornalismo tem sua turma por lá nos mostrando muita coisa curiosa e bonita. Essa pré copa está sendo maravilhosa para mim. Porém de tudo que assisti, de alegre, de triste, de bom, de bonito, o que mais me tocou foi uma entrevista ontem no Bom Dia Brasil, feita pelo Regis Rosing.
Seu Clak tem 80 anos e está trabalhando onde a seleção brasileira está hospedada. É o responsável pelos serviços gerais e o funcionário mais antigo do hotel. Até aí nada demais. Apesar do apartheid ter acabado há quase 20 anos, Seu Clak ainda é perseguido pelo passado. Trabalha há 66 anos num bairro branco e por isso se acostumou a olhar para seus pés, sempre de cabeça baixa. Na entrevista o Regis teve que insistir para que Seu Clak olhasse para ele, mesmo sendo um branco.
Começa a entrevista de cabeça baixa,

levanta o olhar pela insistência

e continua, olhando para o horizonte...
Fiquei pensando em tudo que Seu Clak deve trazer na mente, no coração e na alma. Porém tenho certeza que nunca alcançarei tudo, por mais que tente.

13 comentários:

  1. Oi, Luci,
    Não sei o que é mais triste: Pessoas como o seu Clark, que por vários motivos acostumaram-se a sentir-se "inferiores" ou o inverso. Aqueles que ainda hoje se julgam superiores pela cor da pele, pelo poder aquisitivo, pelo nível de instrução...
    Grande beijo!

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  2. Dureza, viu... difícil constatar essas coisas, não?
    Uma vez vi um documentário chamado "Olhos azuis", onde uma senhora branca de olhos azuis fez um "experimento" nos EUA. Ela fez um workshop com pessoas pessoas negras e brancas na sala, e quis demonstrar o que uma pessoa negra passa em seu dia a dia, de preconceito velado à pura humilhação.
    Na sala, ela inverteu o papel que a gente vê socialmente. Tratava os brancos ali como os negros são comumente tratados no dia-a-dia. E concluía cada uma de suas ações com informações estatísticas. As pessoas ficavam com os nervos à flor da pele, sem chance de rebater aquela pressão imposta pela palestrante. Nossa, foi de arrepiar!! Ao final da palestra, saíam todos exaustíssimos psicologicamente, mas com certeza saíram totalmente diferentes do que entraram ali, com a noção exata de como o mesmo mundo pode ser tão diferente dependendo da cor de pele com a qual você nasce.
    Eu mesma depois deste programa, fiquei embasbacada. Recomendo.
    Bjs, Elaine

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  3. Eu vi a entrevista e tb pensei o que vc disse...
    O preconceito que ele sofreu, a discriminação, ficaram marcados pra sempre. Mesmo "livre", ele ainda está preso por tudo o que sofreu.

    É como um trauma de guerra. Por mais que sejam tempos de paz, como esquecer?
    Imagine o qto de humilhação este senhor sofreu e sofre... pq a gente sabe que o apartheid caiu, mas o preconceito sempre estará de pé.
    Mesmo assim ele levou uma vida digna e trabalha até hj.
    Pobre seu Clak...

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  4. Nossa Luci, não vi a reportagem, mas deve ser uma loucura mesmo, imagina, uma vida inteira sem cruzar o olhar, não tem como fazê-lo só por que o repórter disse que pode, né? Que triste que coisas assim ainda aconteçam... Belo post!
    Beijos.

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    Bjknhs

    Giorgia

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  7. ... e a Africa do Sul e seu ´extinto` apartheid esta tão perto de nós , brasileiros, tantas vezes excluidos e humilhados.

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  8. É verdade, Luci, apesar de tudo, ainda existe subrepticiamente a segregação, o preconceito. Tudo contra que lutou Mandela. Ainda há muito a ser mudado. Mas não só lá. Aqui, também. Uma boa noite, beijos no seu coração ;)

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  9. Olá Luci, eu não vi a reportagem, mas imagino o quão sofrido foi para o esse homem falar com um "branco", sem poder olhar-lhe nos olhos... Triste...

    beijo

    Marta

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  10. Que coisa!
    Não vi a entrevista com Seu Clak, mas só de vê-lo aqui me doeu.
    Mas a cobertura da copa é mesmo muito boa pela Globo,,,tenho que admitir.
    Xeros

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  11. Não vi a entrevista, mas as fotos me tocaram o coração.
    Fiquei muito emocionada com esse olhar, reservado e medroso.

    Como eu sonho com um dia que NINGUÉM tenha que olhar para baixo e sim na mesma direção que todos.

    Beijo grande

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