10 de out de 2010

uma aula de história

Sim, hoje é domingo e você pode pensar que esse nãoé um assunto apropriado. Porém temos poucos dias para definir o futuro do nosso país nos próximos 4 anos. Preciso fazer a minha parte para que quando o resultado sair eu ter minha conciência tranquila. Por favor, não leve prá um nível pessoal, nada do qu eposto aqui sobre política tem a intenção de agredir nenhum dos leitores. Mas é uma opinião minha.

Hoje na Band tem o primeiro debate do segundo turno, às 22h. Assistam, precisamos ter responsabilidade na hora de escolher. Não quero convencer ninguém a pensar como eu, mas faça sua escolha com certeza do que está fazendo.
Uma aula de história 
O futuro do PT (Lucia Hippólito)
O PT nasceu de cesariana, há 29 anos. O pai foi o movimento sindical, e a mãe, a Igreja Católica, através das Comunidades Eclesiais de Base. 
Os orgulhosos padrinhos foram, primeiro, o general Golbery do Couto e Silva, que viu dar certo seu projeto de dividir a oposição brasileira.
Da árvore frondosa do MDB nasceram o PMDB, o PDT, o PTB e o PT... Foi um dos únicos projetos bem-sucedidos do desastrado estrategista que foi o general Golbery.
Outros orgulhosos padrinhos foram os intelectuais, basicamente paulistas e cariocas, felizes de poder participar do crescimento e um partido puro, nascido na mais nobre das classes sociais, segundo eles: o proletariado.
O PT cresceu como criança mimada, manhosa, voluntariosa e birrenta. Não gostava do capitalismo, preferia o socialismo. Era revolucionário. Dizia que não queria chegar ao poder, mas denunciar os erros das elites brasileiras.
O PT lançava e elegia candidatos, mas não "dançava conforme a música". Não fazia acordos, não participava de coalizões, não gostava de alianças. Era uma gente pura, ética, que não se misturava com picaretas.
O PT entrou na juventude como muitos outros jovens: mimado, chato e brigando com o mundo adulto.
Mas nos estados, o partido começava a ganhar prefeituras e governos, fruto de alianças, conversas e conchavos. E assim os petistas passaram a se relacionar com empresários, empreiteiros, banqueiros.
Tudo muito chique, conforme o figurino.
E em 2002 o PT ingressou finalmente na maioridade. Ganhou a presidência da República. Para isso, teve que se livrar de antigos companheiros, amizades problemáticas. Teve que abrir mão de convicções, amigos de fé, irmãos camaradas.
A primeira desilusão se deu entre intelectuais. Gente da mais alta estirpe, como Francisco de Oliveira, Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho se afastou do partido, seguida de um grupo liderado por Plinio de Arruda Sampaio Junior.
Em seguida, foi a vez da esquerda. A expulsão de Heloisa Helena em 2004 levou junto Luciana Genro e Chico Alencar, entre outros, que fundaram o PSOL.
Os militantes ligados a Igreja Católica também começaram a se afastar, primeiro aqueles ligados ao deputado Chico Alencar, em seguida, Frei Betto.
E agora, bem mais recentemente, o senador Flávio Arns, de fortíssimas ligações familiares com a Igreja Católica.
Os ambientalistas, por sua vez, começam a se retirar a partir do desligamento da senadora Marina Silva do partido.
Afinal, quem do grupo fundador ficará no PT? Os sindicalistas.
Por isso é que se diz que o PT está cada vez mais parecido com o velho PTB de antes de 64.
Controlado pelos pelegos, todos aboletados nos ministérios, nas diretorias e nos conselhos das estatais, sempre nas proximidades do presidente da República.
Recebendo polpudos salários, mantendo relações delicadas com o empresariado. Cavando benefícios para os seus.
Aliando-se ao coronelismo mais arcaico, o novo PT não vai desaparecer, porque está fortemente enraizado na administração pública dos estados e municípios. Além do governo federal, naturalmente.
É o triunfo da pelegada.


Lucia Hippólito: É cientista política, historiadora e jornalista, especialista em eleições, partidos políticos e Estado brasileiros. 
É comentarista política da Rádio CBN e da Globonews. É âncora do CBN (Rio). 

Um ótimo domingo!!!!

4 comentários:

  1. Que texto bancana! Muito inteligente. Obrigada pela leitura instrutiva e formadora de opinião.
    Beijos e bom domingo
    Karina

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  2. Luci,
    Tá aí o motivo de eu ter sido ofendida rsrsrs
    Vou ali me atirar da ponte rsrsrs

    Mas antes quero dizer que tô cansada de tudo isso, sabe?
    Ouvindo a propaganda eleitoral eu fico tranquila. São 2 santos, ele e ela, ambos do bem, da família, que tem fé...
    Caramba, é muita demagogia pro meu gosto.
    Não aguento mais rsrsr tô com dor de cabeça

    Beijossssss querida

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  3. Oi, Luci!

    Aqui vamos assitir ao debate, não dá para ignorar.

    Esse texto da Lúcia Hipólito é bem interessante.

    Eu gostava de assistir ao Jô Soares nos dias em que ele reunia as "meninas", a Lúcia Hipólito, a Witte Fibe e outras que não lembro o nome agora, pena que acabou.

    Beijo,

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  4. Ai, Luci... ó vida! Às vezes penso que a gente não merecia passar por isso... Mas merecemos, sim, pq fomos nós que deixamos ficar como está!
    Uma confusão mto louca! Eu queria que pudesse voltar atrás, mas que todo mundo se lembrasse - e tivesse consciência - dos atuais debates, esses do 2º turno.
    Tô como a Elaine... cansada disso tudo! rs
    Um beijo

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