5 de mai de 2011

rifa-se um coração

publicado inicialmente em maio de 2007



"Rifa-se um coração. Um coração idealista.
Um coração como poucos. Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.

Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu... “não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...”. Um verdadeiro sonhador.

Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece e, mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.

Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes, revê suas posições arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.

Rifa-se este desiquilibrado emocional que, abre sorrisos tão largos que quase dá para engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente e, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções.

Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco seu usuário.
Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas: “O senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento. Só fiz bobagem, e me deimal, quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer”.

Rifa-se um coração,
ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.

Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que, ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo.

Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e, ter a petulância de se aventurar como poeta. "

autor desconhecido

ps hoje republiquei todos os posts de maio/2010 e se vc quiser ler é só ir nos marcadores e clicar no ano de 2007

3 comentários:

  1. Que texto bonito. Não conhecia. Também andei tentando rifar o meu por uns tempos, mas hoje, prefiro guardá-lo bem juntinho, com todos os seus desvarios e inconseqüências.

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  2. Faço minhas as palavras da Patrícia, é...hoje prefiro deixa-lo guardadinho.Um ótimo texto para começar o dia.
    Beijos querida amiga, tenha um ótimo dia.

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  3. Oi Luci,

    Texto bonito. Mas quantidade enorme de corações deveriam ser rifados, na ótica do autor, pois as semelhanças são muitas com o coração que ele rifa. rs
    Beijo com carinho

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