24 de jun de 2011

reflexões sobre o post anterior

Gostei muito dos comentários no post anterior e eles me levaram a pensar mais sobre o assunto, pensar em mim, na educação que tive em relação a tudo isso e ao meu comportamento.
Sim, eu fui criada ouvindo que tinha que ser discreta em comportamento e roupas para não provocar os homens. Isso deu certo, porque por muito tempo eu meio que escondia meu corpo. Sempre fui muito magra e é de família ter a bunda grande e principalmente na adolescência eu tinha vergonha disso e tentava escondê-la por baixo de camisetas largas, por exemplo. No ginásio já tinha o apelido de tanajura (formiga de bunda grande) e ouvia a musiquinha do Juca Chaves.
Já contei que trabalhei por mais de 20 anos no Mercado de Capitais, onde era operadora de Bolsa, mesa e pregão. Quando comecei, só 2 mulheres trabalhavam nesse mercado, eram operadoras. Se acham que hoje a mulher tem que provar que é boa profissional, imaginem a 28 anos atrás. Além disso tínhamos que provar que não éramos mais uma vadia a fim de dar prá todos os homens que nos rodeavam. Ganhar respeito como profissional foi um longo e árduo caminho. Eu não era apenas mais uma "comível". E nessa parte claro que entrava também o quesito roupa. Tinha que chamar a atenção pro meu trabalho, não para meu corpo e qualquer peça mais ousada já era motivo de piadinhas e comentários maldosos o dia todo. Sabia que era exigido um comportamento meu para que eu pudesse crescer como profissional e ter diversas oportunidades de participar de trabalhos importantes. 
Tive que ter também um comportamento mais agressivo e muitos ou me respeitavam ou tinham medo das minhas reações hahaha  Uma vez eu estava fechando o movimento do dia e um deles me enchendo o saco que lugar d mulher era pilotando fogão e coisas assim. Saí da sala e fui fazer meu trabalho em outro lugar. Quando voltei ele tinha colocado em cima da minha mesa, balde com água, embalagem de detergente e perfex. Sem falar nada eu coloquei detergente dentro do balde, mexi e joguei tudo em cima dos papéis que estavam em cima da mesa dele e do paletó do terno que tava no encosto da cadeira e continuei sem dizer uma palavra.. preciso contar a reação dele? 
Custei assumir meu corpo e meu gosto. Tive que amadurecer, ser mais segura. Porém confesso que o grande medo que tive e tenho na vida, nãoé ser assaltada, nem ser morta, é ser estuprada, sempre foi. Mas também sei a muito tempo que se isso acontecesse eu não seria a culpada.
Tenho acompanhado a série Game of  Thrones e vendo como naquela época dos reinos, castelos, principes e princesas, o estupro era a maior arma do homem contra a mulher. Quando invadiam aldeias ganhavam o direito de estuprar as mulheres. Tudo isso é muito antigo. Hoje leio o aumento do percentual de mulheres violentadas, mas acredito que o que tem crescido é o número de denúncias.
No post anterior eu comentei sobre o caso da moça que bebeu demais na festa e foi estuprada pelo bombeiro civil. Quem assistiu o capítulo de ontem de Insensato Coração, viu uma personagem ser estuprada pelo namorado, se aproveitando que ela estava bêbada. SEMPRE que alguém faz sexo com uma mulher, sem seu consentimento é estupro, mesmo que esse homem seja seu marido.

E o outro lado da história? Já pensaram nisso? Sabiam que a maioria dos estupradores foram estuprados quando criança? É tudo muito triste...

O que nós podemos fazer para mudar tudo isso? Dar uma educação melhor as crianças. Ensinar valores e respeito, tanto prá  meninas como meninos. Denunciar!!! Não só quem sofre o abuso, mas quando souber que isso acontece. Isso pode acontecer com qualquer um, ninguém nasce protegido disso. Não há classe social, cor, religião, idade, nada que lhe garante que isso não vai acontecer com vc ou filhos seus. Há noticia de idosas sendo estupradas, já viram? 

Quem não leu, recomendo ler os comentários do post anterior. 


3 comentários:

  1. Você tem toda a razão. E como comentei no blog da E. Gasparetto, somos nós mulheres que estamos criando esses homens e mulheres que pensam assim. Infelizmente. Mas isso vai mudar sim.... mas vai levar algum tempo. Até lá temos que ensinar nossas filhas a não serem estupradas...... :(
    bjs
    Sônia

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  2. Minha doce Vida!
    Que post e que vida. Um tempo em que dou a mão, pois também comecei cedo a trabalhar. Uma época em que a mulher na cidade só podia ir de saia. Tinha que impor respeito senão até o patrão dava em cima.

    Parabéns amiga que sempre nos abrilhantou com temas tão importantes.

    Sim vamos divulgar, vamos educar os jovens de hoje para serem homens honrados no futuro.

    Beijos no seu coração

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  3. Iniciei um novo blog e com isso comecei a passear por alguns para conhecer.
    Concordo plenamente com seus posts e acho muito importante falar sobre o assunto.
    Já me tornei sua seguidora.
    Abraços

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