13 de set de 2012

como me tornei artesã? parte II

esse  post foi publicado inicialmente em 05/04/10

Deus, o Universo, ou o que quer que você acredite, conspiram e trabalham direitinho ;) Há muitos anos eu trabalhei 5 anos sem carteira assinada e andava maldizendo isso porque teria que trabalhar 5 anos a mais até me aposentar. E não é que tudo isso estava acontecendo justamente faltando 5 anos para eu me aposentar? Eu explico.
Foi boa a conversa com o patrão. Estávamos em agosto e eu ainda trabalharia até dezembro. Financeiramente eu receberia tudo que tinha direito mais uma gratificação pelos 16 anos que trabalhei com ele. Para completar, ele me deu também o valor correspondente aos 5 anos que eu ainda tinha que pagar, pelo máximo, de INSS até me aposentar. É, é isso mesmo. Sendo assim, eu estava recebendo o presente e as condições que me permitiriam não ter que trabalhar fora esses 5 anos que faltavam para a aposentadoria (agora faltam 2 anos e meio, se a política não mudar).
Início de setembro eu já tinha passado todo o meu tabalho para uma pessoa de São Paulo e não tinha quase nada para fazer. Também não tinha mais porquê aguentar os pitis do chefe (não do patrão) e pedi para sair antes da data combinada. Patrão me liberou, me pagou salário como se eu tivesse trabalhado até dezembro e me deu um super presente. Ele sempre gostou de dar viagens de presente para as pessoas que trabalhavam com ele. Uns 10 anos antes eu ganhei minha primeira viagem a Europa. Ele sabia que eu tinha um sonho de conhecer Paris e fez uma aposta comigo em cima do preço de ações de uma empresa que era negociada na Bolsa e eu ganhei. Fui a Paris, Londres e 5 cidades da Itália. Um sonho!!!!! E agora na minha saída da empresa, ele me deu uma nova viagem dizendo que era para eu descansar de tudo que tinha passado (ele se referia aos meus pais que um dia eu conto para você) e me deu uma viagem a Lisboa, Madri, Santiago de Compostela, Barcelona e Paris (tinha que voltar a Paris). Não preciso dizer nada, né? Foi bomdemaisdaconta. Viajar, conhecer outros lugares, nem que seja a cidade vizinha, não tem preço.
Saí da Empresa, fiz minha viagem e voltei. E agora? O que fazer? De uma coisa eu tinha certeza: não queria mais trabalhar no Mercado de Capitais. Chega! Alguns amigos até me mostraram algumas propostas, mas nenhuma que valia a pena.
Eu sempre tive planos de trabalhar com artesanato quando me aposentasse, algo que eu gostava. Daí pensei... Deus está me dando a oportunidade de fazer o que eu quero justamente 5 anos antes de me aposentar, já que eu maldizia esses 5 anos. Ninguém mais dependia de mim financeiramente. Tinha meu apartamento próprio e meu dim dim guardado. Peguei esse valor, dividi pelo número de meses dos 5 anos até aposentar para ter idéia do que eu podia gastar por mes. Mudei meu estilo de vida e resolvi me tornar artesã.
Sei que há pessoas que têm problemas quando precisam abrir mão de coisas materiais, eu não tenho nenhum, aliás é algo que venho fazendo aos poucos, me desligar cada vez mais do material. Abri mão de algumas coisas que não faço hoje para não ter maiores despesas. Eu costumo brincar com o seguinte exemplo: eu adoro um vinho.. huummmm mas hoje eu não pago R$100,00, R$80,00 ou R$50,00 num vinho... bebo um de R$20,00, R$10,00 feliz da vida!!!!! Não tenho viajado, algo que adoro, mas sou feliz e faço planos de viagens para quando a aposentadoria sair. Aqui estou eu trabalhando em algo que não paga minhas contas mensais, mas nunca fui tão feliz. Sei que sou uma privilegiada e dou graças a Deus por isso. Tenho tranquilidade, faço o que quero, quando quero e na hora que quero. Passo o dia aqui entre pincéis e tintas que nem vejo o tempo passar. Faço cada peça com carinho e amor como se fosse para mim mesmo. Me enche de alegria ver a carinha e as palavras das clientes quando vêem suas encomendas. Tenho uma família maravilhosa que amo e sei que me ama, que me apoiou demais quando tomei essa decisão, assim como os amigos queridos.
Tomada a decisão comecei a pesquisar no orkut sobre trabalhos que eu nunca havia feito e me deparei com a decoupagem, foi amor a primeira vista. Até então eu fazia bordados, pintura em tecido e uma coisa ou outra que ía aprendendo. Procurei ler bastante, comprei o material e assim nasceu minha primeira caixinha que é um horror hahaha Quem sabe como se faz nunca deve ter visto uma guardanapo tão mal colado. Eu ainda não sabia direito como fazer e fui no instinto. Também fiz alguns cursos e as amizades com outras arteiras também me ensinou muito.
O próximo passo foi abrir o blog Artes da Luci onde posto meus trabalhos e de onde vem 90% das encomendas que recebo. Para vocês terem idéia, não tenho mais como pegar lembrancinhas até fevereiro do ano que vem, graças a Deus. Quase todos os dias recebo pedidos de orçamento. Ganhei clientes e acima disso, ganhei amigas. Já mandei trabalhos meus de Manaus a Porto Alegre. Claro que adoro receber elogios sobre meu trabalho e fico feliz de ver meu progresso. Tenho muitos projetos de novos trabalhos, mas o meu pior inimigo é o tempo. Já tentei encontrar gente para trabalhar comigo, mas ainda não consegui nada, pois se conseguisse alguém que ao menos desse base e lixasse as peças para mim, já seria maravilhoso. O grande problema é que trabalhasse muito e ganhasse pouco, pois como já disse acima, artesanato não paga minhas contas. Muita gente me pergunta sobre eu abrir uma loja, mas eu não tenho esse sonho, pelo menos não agora. Penso que ter uma loja, além de grande investimento, que não tenho, me faria ir para outro lado. Teria que me preocupar com contabilidade, funcionários, estoque, tantas coisas que onde estaria o tempo para fazer os trabalhos? Claro que isso ficaria em segundo plano e não é o que quero. Hoje estar aqui no meu cantinho tem me bastado. Quero cresce aqui, em aprenizado, em prazer.
Eu recebia muitos emails e comentários no blog de trabalho me perguntando sobre como eu fazia alguma coisa, qual material usava... e foi assim que nasceu meu terceiro blog: Artes da Luci - Postando sobre Artes. É nele que passo para outras pessoas o pouco que sei, dou dicas, posto passo-a-passo ensinando como faço alguma coisa, compartilho material e faço amizade com outras arteiras que fazem lindos trabalhos e com quem também aprendo muito. Lá tem a lista de blogs de artes que acompanho e se você quiser conhecer, vai clicando lá.

E foi assim que uma professinha virou operadora do mercado de capitais que virou artesã.

toalha de tecido de fralda pintada a mão


camiseta que pintei para meu irmão
nossa, pintei muitas camisetas ao longo da minha vida


jogo de toalha de banho bordado com ponto de cruz
adoro fazer isso, sempre tenho um bordado ao meu lado na cama :)

ovos de galinha pintados a mão e recheados com confeti de chocolate



minha primeira caixinha :P

primeira feirinha que participei


com amigas aqui em casa aprendendo juntas


aprendendo a técnica de pastilhas

fazendo curso


eu e a amiga Tatiana nos reunimos para aprender e fazer nossa primeira caixa com tecido


Adicionar imagem Sobrinha encomendou caixa com fotos para presentear a Talita Rebouças de quem ela é super fã


eeeee... tchan tchan tchan
essas fotos foram tiradas há algum tempo e são do meu quarteliê \o/\o/


Essa mesa eu comprei na época para colocar meu pc, mas acabou servindo muito bem para eu trabalhar, vejam que coloco coisas na parte onde seia o techado, o que me auxilia bastante, sem contar o fato dela ter rodinhas e eu poder empurrar prá cá e prá lá.


Não saiu nas fotos, mas também tem um guarda-roupas de 8 portas onde guardo material também. Hoje a arrumação está um pouquinho diferente no que diz respeito a arrumação de material. Tenho muita vontade de dar uma arrumada e enfeitada nele, mas falta o danado do tempo.

E então? Gostaram?


12 de set de 2012

como me tornei artesã - parte I

Esse post foi publicado inicialmente em 15/02/10

Eu recebo os comentários aqui no blog, porém algumas pessoas comentam também através do email que recebem sobre a atualização do blog (feed). Sinto qu e lá se sentem mais a vontade. Recebo elogios, também recebo críticas, mas numa boa, sem agressividade, apenas a opinião delas e muitas vezes se transforma num bom papo, e também questionamentos, por curiosidade. Então andei pensando que talvez devesse escrever sobre algumas coisas que também podem passar pela cabeça de quem lê aqui e não escreve, ou escreve mas também tem curiosidade e não pergunta, ou discorda, mas prefere não dizer temendo ser mal entendida. E sendo assim vou escrever hoje como me tornei artesã.
Com 12 anos comecei a me aventurar nos trabalhos manuais (era assim que chamávamos) e após passar férias na casa de uma prima que pintava fraldas para uma loja aqui do Rio, me entusiasmei e quis fazer também. A partir daí comecei a pintura em tecidos. Pintei muita camiseta, a turma adorava, pois podiam trazer o desenho que fosse que eu ampliava e pintava. Logo depois comecei a bordar. Tudo o mais foi vindo com o tempo. Sempre tive a facilidade em ver um tipo de trabalho e fazê-lo. Minha habilidade está no dna pois na minha família, tanto do lado paterno como materno, há muita gente habilidosa com as mãos. Então é algo que nasceu comigo, assim como a facilidade em cozinhar, coisa de família. Desde então sempre fiz meus trabalhos para ganhar um dinheirinho extra, mesmo estando empregada em algum lugar.

Tudo que eu queria era ser professora e fazer belas Artes. Fiz Escola Normal e me formei professora. Meu primeiro emprego foi numa escola e peguei uma turma de Maternal.


 minha primeira turma

a professorinha

Fui fazer faculdade de Literatura, pois Belas Artes nem pensar. Curso de horário integral e muito material e caro. Para quem precisava trabalhar para ajudar em casa realmente não dava. Tres anos depois fui trabalhar com mcursos livres. Mas como quase sempre aconteceu na minha vida fui levada para outros caminhos bem diferentes dos meus planos. Sendo assim, em dezembro de 1983 comecei a trabalhar no Mercado de Capitais sem ao menos saber o que era Bolsa de Valores. Fui contratada para atender os clientes que queriam investir em alguma coisa no Banco, mas como não conhecia nada, primeiro fui fazer estágios nos diversos departamentos para aprender. Acabei nunca assumindo essa função pois num dos departamentos acabei me destacando e ficando por lá mesmo.
Foi um longo caminho e cheio de desafios e dificuldades. Tres anos depois de começar fui morar em São Paulo e trabalhar na mesa de operações da Corretora de Valores,  a mesma que eu trabalhava no Rio chefiando o departamento de Investimentos. Nessa época se contava nos dedos de uma mão quantas mulheres trabalhavam como operadoras de Bolsa.
Contar essa história precisaria de muitos e muitos posts e não é essa a razão desse post, escrever sobre minha vida de operadora. Então vamos voltar a vaca fria :)
Trabalhei em São Paulo por 4 anos, em duas Corretoras diferentes. Nessa época já havia feito todos os cursos disponíveis para aprender o que podia, já sendo inclusive operadora habilitada para operar nos pregões da BOVESPA (Bolsa de Valores de São Paulo) e BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros). Porém depois de 4 anos, num final de tarde, me deu aqueles 5 minutos que tive muitas vezes na minha vida, com diversos motivos, liguei para meu patrão que na época era Presidente da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro e pedi demissão. "Vou voltar para o Rio".
Voltei a morar com meus pais e fiquei desempregada por exato 1 ano. Desempregada mas não parada, pois minha mãe era costureira e eu logo comprei uma outra máquina e passei a trabalhar com ela. Continuei procurando emprego no Mercado e numa noite, festa na casa de um amigo, soube que uma pessoa bem conhecida nesse meio ía abrir uma Corretora. Coloquei o currículo debaixo do braço e fui procurá-la com a cara e a coragem. Fui contratada! A Corretora fechou alguns anos depois, mas continuei trabalhando para ele, foram 16 anos. Éramos uma equipe de 4 pessoas que cuidava de tudo na vida dele, sim, ele é uma empresa rsrs
Há 3 anos e meio perdi meus pais num intervalo de 2 meses e nem preciso dizer como minha vida mudou, não é? Um ano depois fui demitida. O patrão já morava em São Paulo havia muitos anos e tinha muita vontade de levar o escritório para lá. Vários motivos fizeram com que ele fosse adiando essa decisão, mas chegou um momento em que tudo ficou propício e ele tomou essa decisão. Por que eu fui demitida? Não sei essa resposta! Aí você me pergunta: mas como não sabe? É verdade, não sei, mas suspeito do único motivo. Vou tentar explicar.
Eu cuidava não só de coisas no lado profissional dele, mas também de coisas da vida pessoal. Você ter uma relação direta com seu patrão por 16 anos, convenhamos que se cria uma história e uma forte relação. Por causa dessa relação, todo mundo dizia e acreditava que eu trabalharia com ele até o final da vida, que ele nunca me mandaria embora. A gente sabe que as coisas não são bem assim. Abaixo dele eu tinha um chefe e nossa relação nunca foi das melhores, haviam sérios problemas. Sim, eu melhor do que ninguém sei o que é assédio moral. Posso estar errada, mas creio que fui demitida por influência dele e talvez de uma outra pessoa, que aproveitaram essa mudança para São Paulo para se "livrarem" de mim. Não faço idéia do que foi dito.
O patrão fez questão dele mesmo me dar a notícia e conversar comigo e eu, gostando tanto dele, não tive a coragem de colocá-lo numa saia justa e perguntar o por quê.



esse menino que estou segurando a cabeça, hoje é diretor dessa mesma corretora








Muitas vezes atuei no pregão da Bolsa. Essa foto é no pregão da Bolsa de Valores do Rio do Rio de Janeiro, onde representei minha corretota em diversos leilões de privatização e descia sempre que necessário



Me desfiz de muitas fotos e guardei muitas com carinho. Porém a grande maioria não posso publicar aqui por conta de expor pessoas.

continua...